Agosto Lilás coloca em pauta a rede de proteção à violência contra a mulher em Marau
Baixar ÁudioSe preferir, ouça no player de áudio
Falar sobre violência contra a mulher é também tornar conhecidos os caminhos para interrompê-la. Em Marau, o Agosto Lilás amplia uma mobilização que ocorre durante todo o ano, envolvendo poder público, forças de segurança e diferentes instituições. O trabalho foi tema de entrevista à Tua Rádio Alvorada com a secretária de Desenvolvimento Social, Adriela Balotin Tonin, o delegado Norberto Rodrigues e o psicólogo Augusto Fassina.
Entre as iniciativas está o grupo reflexivo de gênero, previsto na Lei Maria da Penha. Conforme Augusto Fassina, entre 2023 e 2025, 405 homens com medida protetiva passaram pelo grupo, que prevê seis encontros, sendo que 62% concluíram todo o processo. O psicólogo destaca a articulação entre diferentes instituições como um dos principais avanços do trabalho desenvolvido no município.
Neste ano, Marau também aderiu ao projeto Marau que Protege, com ações de informação, prevenção, acolhimento e proteção. Adriela lembra que as consequências da violência alcançam também quem está próximo da vítima. “Quando falamos em mulher agredida, falamos nos filhos, falamos nos pais, nos irmãos, em uma família que sofre junto com esta mulher.” A secretária ressalta que a violência pode ser física, moral, sexual, patrimonial e psicológica.
Marau não possui uma casa de acolhimento para mulheres em situação de violência, mas mantém parceria em Porto Alegre para casos em que seja necessário retirar a vítima do município por segurança. Adriela destaca, porém, que não é a mulher agredida que deve deixar sua residência, mas o agressor, sempre que houver condições para que ela permaneça no local com segurança. Em situações de risco à vida, a rede realiza o encaminhamento para um local protegido.
Para o delegado Norberto Rodrigues, prevenção e informação também fazem parte do enfrentamento à violência. As palestras realizadas pela Polícia Civil discutem comportamentos que durante muito tempo foram naturalizados pela sociedade. Ao abordar a violência sexual dentro do casamento, ele enfatiza: “Hoje a liberdade sexual da mulher tem que ser muito respeitada. E se ela disser não, é não.” Para Rodrigues, a mudança de percepção da sociedade também é necessária para reduzir a violência.
O delegado destaca ainda a aproximação entre polícia e comunidade proporcionada pelo trabalho preventivo. “Eu nunca vi a comunidade tão próxima da polícia como agora”, afirmou. Segundo Rodrigues, palestras, orientações e a atuação conjunta da rede contribuem para uma transformação cultural que precisa ocorrer não apenas durante o Agosto Lilás, mas ao longo de todo o ano.
Comentários