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Pesquisa busca ampliar controle biológico do carrapato bovino no RS

por Ana Lúcia Jacomini

Resistência aos carrapaticidas e clima impulsionam busca por novas formas de controle no campo

Foto: Divulgação/Emater

O avanço do carrapato bovino tem aumentado a preocupação entre produtores rurais e especialistas em sanidade animal no Rio Grande do Sul. O crescimento da resistência aos carrapaticidas e as mudanças climáticas vêm dificultando o controle do parasita nas propriedades gaúchas. Diante desse cenário, pesquisas conduzidas pelo Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF) estudam alternativas de controle biológico aplicadas diretamente nas pastagens.

O objetivo é reduzir a infestação nos rebanhos utilizando microrganismos presentes no solo, como fungos e bactérias capazes de combater o carrapato sem causar danos aos animais. De acordo com a médica veterinária e coordenadora de Defesa Sanitária Animal da Emater, Thaís Michel, o trabalho de orientação aos produtores ocorre há mais de dez anos em parceria com o Instituto, envolvendo capacitações, monitoramento e manejo preventivo nas propriedades rurais. Conforme a profissional, praticamente todas as propriedades já apresentam algum grau de resistência aos produtos químicos utilizados no combate ao carrapato.

O uso repetitivo do mesmo princípio ativo e aplicações fora do período adequado acabam favorecendo a seleção de parasitas resistentes. Outro fator que contribui para o aumento da infestação é o clima. Invernos menos rigorosos e períodos prolongados de calor reduzem o controle natural provocado pelas baixas temperaturas, favorecendo a sobrevivência do carrapato nas pastagens. Segundo os pesquisadores, grande parte do ciclo do parasita acontece no ambiente. Cada fêmea pode depositar até três mil ovos no solo, tornando as áreas de pastagem um dos principais focos da infestação.

O estudo desenvolvido pelo IPVDF utiliza microrganismos coletados no próprio solo para atacar o carrapato ainda na fase em que ele permanece no ambiente, antes de retornar aos bovinos. Após seleção em laboratório, os organismos são multiplicados e aplicados nas áreas de pastagem em formulação líquida. Os primeiros resultados observados em propriedades acompanhadas pelo Instituto indicam redução da infestação, embora os dados ainda estejam em fase de validação científica. A expectativa é que a tecnologia possa futuramente ser disponibilizada ao setor produtivo por meio de empresas de bioinsumos.

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