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Ver, pensar e agir por toda comunidade ...”

Miguel Debiasi

 

O rei da Prússia, Frederico II (1740-1786), empregou uma expressão que marcou a história dos imperadores: “o soberano deve ver, pensar e agir por toda comunidade”. Napoleão Bonaparte quando se tornou o imperador absoluto da França (1804-1814) dizia que “todo homem luta com mais bravura pelos seus interesses do que pelos seus direitos”. Mesmo considerando toda boa vontade de quem chega ao poder de conduzir uma nação, porém, estão sujeitos a corrupções e a serem avaliados por aquilo que realizaram na prática em benefício da comunidade.

Olhando para história de São Benedito José Labre (1746-1783), conhecido como “O cigano de Cristo” e “Mendigo de Deus” que misturou-se entre os mendigos em Roma, por qual motivo também era chamado, o escritor francês Daniel-Rops (1901-1956) disse ter visto nele justamente “um vivo protesto contra as loucuras de sua época”. Em contrapartida, é difícil falar de um conceito humano para dirigir-se a quem se quer nunca tivemos aproximação e contanto pessoal. Hoje, este conceito humano torna-se mais difícil devido ao grande número de divulgação de fake news e piora quando essa iniciativa parte de personalidades que estão no exercício dos seus poderes. Em se tratando do cenário político nacional e das altas esferas do poder executivo, seja por fake news ou por incapacidade, ronda um ceticismo e uma crescente desaprovação de opinião pública.

Na avalição de muitos entendidos em combate de pandemias virais, o governo federal tem praticado um certo ‘corpo mole’, praticamente todo trabalho precisou ser coordenado pelos próprios Estados da federação. Como consequência desta imprudência, quarenta e três entidades como Oxfam, Justiça Global, Inesc, Conetas, Campanha Nacional pelo Direito à Educação e outras, denunciaram na ONU o governo federal, pelo corte do orçamento para o setor da saúde de 13 bilhões. Desde que a Emenda Constitucional 95 foi adotada em 2016, sob o comando do governo Michel Temer, a perda no setor da saúde chega a 30 bilhões. Dada a situação de precarização da saúde pública, entidades de Direitos Humanos no Brasil recorreram às Nações Unidas para pressionar o governo federal a abandonar o teto de gastos para garantir maiores recursos para o combate ao Coronavírus, conforme informa o jornalista Jamil Chade, em sua coluna no portal UOL. Segundo o jornalista nestes últimos quatro anos, a falta de investimento com o setor da Saúde levou a uma redução de 49 mil leitos de UTI no Brasil.

No início de agosto o Brasil ultrapassou a marca de 100 mil mortos pela pandemia do Coronavírus. A frente desta situação de morte e de sofrimento social, o Congresso Nacional, Senado, Supremo Tribunal Federal decretaram três dias de luto pelas vítimas da Covid-19. Porém, não pode cair no esquecimento que estes órgãos públicos que hoje decretam luto nacional são os responsáveis pela perda do orçamento com o setor da Saúde ao aprovarem a Emenda Constitucional 95. Certamente, nem mesmo uma piedade ardente destes homens públicos responsáveis pelo elevado de 100 mil mortes resultaria num conforto humano as famílias vitimadas pela Covid-19. Pois, a aprovação da Emenda Constitucional 95 e o congelamento do orçamento para o setor da Saúde era sabido a qualquer cidadão que iria trazer grande sofrimento para a população brasileira. Obviamente, que esta era uma realidade ciente aos homens de terno e de gravata que circulam a Praça dos Três Poderes de Brasília que irá acontecer num futuro próximo.

Neste cenário que se alastra as mortes de pessoas indefesas, desamparadas pelo Estado, há também deputados e senadores cristãos que consideram-se verdadeiros arautos do Evangelho, contudo pouco piedosos e invisíveis ao sofrimento humano. Sem dúvida, estes deputados e senadores que se dizem cristãos também são responsáveis pelas vidas ceifadas pela pandemia pelo suporte que deram na aprovação da Emenda Constitucional 95 de 2016. A Igreja Católica que não faz da religião um suporte político do governo, denuncia da inexistência de um planejamento amplo e estratégico de combate da Covid-19. Diante desta triste situação, a Igreja Católica do Brasil convocou Dioceses, paróquias, comunidades e líderes religiosos para um trabalho de socorro e de assistência ao mais abandonados, as famílias desempregadas. Fiel ao Evangelho, a Igreja Católica é convocada pelo papa Francisco a dedicar-se aos “Mendigos de Deus”, os “Os ciganos de Deus”, ou seja, as multidões de pessoas necessitadas espalhados pelas praças, ruas, favelas, cidades do Brasil. Pois, a fé em Cristo leva a ver, pensar e agir pelo bem comum da coletividade, iniciando preferencialmente pelos últimos e mais necessitados de amor e de cuidados. 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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