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Uma necessária cultura política

Miguel Debiasi

 

Quanto o assunto é política não há como não recorrer aos sábios teóricos que fundamentaram os sistemas políticos e as formas de governo. Desde os primórdios da civilização, a ciência política é uma questão em debate. Em cenário de ascensão de um neofascismo político tutelado por um fundamentalismo religioso, miliciano e militar revela da necessidade do debate por uma cultura política de verdadeira cidadania. O atual cenário neofascista que se desenha no Brasil macula a política, a religião cristã e o escasso espírito democrático.

Os debates entorno da construção de uma cultura política, com base em princípios éticos e justos, é assunto de outrora onde muitos sábios teóricos contribuíram nesta jornada. Entre os colaboradores os mais diferenciados foram os filósofos gregos Platão e Aristóteles. A colaboração de Platão (428 - 348 a. C.) discípulo do mestre Sócrates, com sua filosofia focada na política e ética foi tão ampla que culminou com um projeto pedagógico chamado de: A Academia de Atenas. Influenciado pelas ideias e pelo fato da condenação de Sócrates à morte, Platão apresentou-se como um dos maiores protagonistas da humanidade na elaboração de uma ciência política. Suas concepções fundamentaram e definiram os modelos de governos baseados na democracia.

Em sua obra A Republica, onde usa o personagem do seu mestre Sócrates, Platão descreve sólidos argumentos filosóficos por uma vida ideal e por uma sociedade justa e harmoniosa. Na obra, A Poliétia, reflete sobre o regime ou governo da polis, da cidade. Na obra As Leis, desenvolve o mesmo tema. Contudo, A República, esboça um projeto ético-político-pedagógico com base na ideia da justiça social, ideário que atravessa séculos e milênios. Um conteúdo a iluminar qualquer cidadão que deseja fazer da cultura política a base da democracia, em prol de uma sociedade justa, solidária, ética e de dignidade humana.  

Outro grande colaborador deste debate é Aristóteles (385-323 a. C.). Aristóteles inicia sua fundamentação teórica política na tese que o homem é um animal social. Como ser social, o homem faz parte do grupo, de uma cidade, portanto, politika ou da política. Portanto, como a sociabilidade faz parte da natureza humana, da mesma forma, requer-se dos indivíduos uma amadurecida consciência política. A cidade é lugar natural para viver sua sociabilidade, para tanto, exige cultura política.

A cultura política, manifesta-se pela linguagem e pelos atos. Como costumamos dizer a natureza não faz nada sem um propósito. O homem é o único entre os animais que tem o dom da fala, portanto, de construir cultura. Na verdade, a fala, tanto a nível de sociabilidade e política, tem a finalidade de indicar o conveniente e o nocivo, promover o justo e refutar o injusto. E, o tamanho da cultura política do cidadão manifesta-se na vontade de promover o bem comum, do justo contrapondo o injusto, de fazer uso de uma linguagem de elevação moral dos concidadãos. Uma elevada cultura política constrói uma comunidade, uma cidade, um estado, uma nação, uma civilização de seres humanos justos, livres e respeitados em seus direitos e deves.

Desse modo, a cultura política é a mãe, a mestra, que constitui relações humanas, sociais e governamentais. Ao saber conviver com os outros, o ser humano transcende a natureza animal, chega-se, de fato, a sociabilidade pedagógica e libertadora. A cultura política faz parte da natureza social do homem que a manifesta na linguagem, no dizer e na ação. Logo, o homem é o único animal que fala, em função do outro. Isto é, em função de uma causa, de valor político que faz sentido para todos os cidadãos. No caso do Brasil, faz-se necessário de uma elevada cultura ou consciência política, ao ponto de livrar-nos da ameaça de um regime neofascista. Um neofascismo político tutelado por um fundamentalismo religioso, por grupos de milicianos e pelo cooperativismo militar. Diga-se de um cenário político nacional, que desconsidera sem pudor a mínima consciência e cultura política.  

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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