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Quem é parasita no Brasil?

Miguel Debiasi

 

O que é um parasita? A parasitologia é a ciência que estuda parasitas. Esta ciência diz que os parasitas seres vivos que retiram de outros organismos os recursos necessários para a sua sobrevivência. Normalmente, o parasita pode viver muitos anos em seu hospedeiro sem lhe causar grandes malefícios, ou seja, sem prejudicar suas funções vitais. No entanto, há muitas espécies de parasitas que leva seu hospedeiro à morte, uma vez que através dele se beneficia unilateralmente. O ministro da economia Paulo Guedes classificou os funcionários públicos de parasitas. O funcionalismo público é o mal do Brasil? Este é um assunto que merece um debate.

O ministro da economia Paulo Guedes, no dia 7 de fevereiro, durante o evento na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rio de Janeiro, classificou os servidores públicos: parasitas do Brasil. Na avaliação do ministro, o governo precisa acabar com os parasitas. Em manifestações anteriores o ministro Paulo Guedes desferiu duras críticas ao funcionalismo público, aplicando termos pejorativos. A visão de Paulo Guedes em relação aos funcionários públicos está muito clara: devem ser suprimidos, banidos, extinto de qualquer repartição pública. Sua crítica não é pelo valor que o governo paga ao servidores públicos pelo serviço prestado a nação. Mas, sim porque o ministro quer o Estado mínimo, ou seja, sem função pública. Obviamente, o interesse do ministro é privatizar e entregar todo serviço público para as grandes empresas. É algo que Paulo Guedes tem feito em toda sua vida pública, servir aos grupos privados mandatários do mercado internacional.

No entanto, o ministro ao chamar o funcionalismo de parasita esconde a verdade dos fatos. Primeiro, porque o ministro Paulo Guedes é um dos bilionários do mundo. Segundo, Paulo Guedes até julho recebia, além do salário de R$ 30,9 mil, diárias para dar expedientes no Rio de Janeiro, inclusive em datas que não cumpria agenda. Terceiro, Paulo Guedes, além do salário de ministro, recebe um auxílio moradia de R$ 7.733 por mês. Quarto, recebe o mesmo valor para auxílio passagem de ir de Brasília ao Rio de Janeiro onde tem residência. Quinto, além de viajar para casa com o dinheiro público, recebe nada menos que um auxílio diário de R$ 458 a título-alimentação. Como senão bastasse o salário, as assessorias, os auxílios, das 60 viagens que Paulo Guedes fez com dinheiro público, 38 destas aconteceram nas quintas-feiras, tendo como destino o Rio de Janeiro sua residência. Todas essas informações podem se confirmadas pelo Painel da Folha de São Paulo.

Logo, o montante da verba embolsada mensalmente por Paulo Guedes leva a concluir que os funcionários públicos não são os parasitas, pois, na sua maioria recebe salário básico pelo serviço prestado a nação. Além de ser um cidadão bilionário e vivendo das mordomias pagas pelo dinheiro público, Paulo Guedes classifica o funcionalismo de parasitas. Ademais, sua vontade como ministro da economia é demitir 88% dos servidores públicos federais. Portanto, o ministro com suas declarações desastrosas além de ferir os servidores públicos, visam esconder a verdade dos fatos dos gastos públicos. O ministro diz a inverdade para que a população não saiba da quantia empenhada do orçamento da nação com os servidores públicos.

A desinformação do Paulo Guedes logo foi rejeitada por muitos economistas. O economista Eduardo Moreia rebateu as declarações do ministro da economia e apresentou o comparativo dos gastos. Com base no Portal da Transparência, Eduardo Moreia apresentou um comparativo, 12 milhões de servidores recebem por ano para educar, cuidar, limpar, julgar, estudar, pesquisar e outros serviços públicos a quantia de R$ 700 bilhões. Como estes servidores são pais, mães, avôs e avós, sustentam quase 50 milhões de brasileiros. Ainda seu estudo comparativo, demonstra que 400 bilhões são pagos pelo governo federal por ano em juros da dívida, em troca de nenhum trabalho.

O economista ainda apresentou outras comparações entre o que é gasto com os servidores públicos ao outros setores que governo federal, desmentido a declaração de Paulo Guedes. O Sindicato dos Servidores da Câmara, Senado e Tribunal de Contas da União (Sindilegis), emitiram uma nota de repúdio: “parasita é o sistema financeiro, protegido pelo ministro da Economia, que escraviza o povo brasileiro em benefício de meia dúzia de banqueiros”. Logo, Paulo Guedes, ao acusar os servidores esconde a verdadeira face dos parasitas do Brasil, entre os quais ele está incluso.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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