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Que a moeda não saia ...

Miguel Debiasi

O Continente Sul Americano com cerca de 17,8 milhões de quilômetros quadrados, comporta 6% da população mundial, dividida em 12 países e sete territórios, limita-se ao norte com América Central, a leste com o oceano atlântico e a oeste com o oceano pacífico, historicamente tem enfrentado muitas dificuldades para garantir independência e soberania. Para não ser espaço de exploração neocolonial vê-se diante novos desafios.   

A vista da superação de entraves, a América Latina precisa refletir sobre questões como: como conservar a autonomia dos países latino-americanos diante do norte do continente, em que os Estados Unidos da América (EUA) se apresentam como uma nação de política externa colonialista com controle político, econômico e ideológico sobre as repúblicas latino-americanas? Como os dirigentes das repúblicas latino-americanas podem criar pacto em favor da soberania livre e das populações do Continente Sul?

A anos que a política internacional dos EUA exercida sobre a América Latina é tema de debate dos teóricos sul-americanos. Esta reflexão parece não terminar enquanto a América Latina não deixar de ser a colônia dos EUA, como expressa a Doutrina Monroe: “A América para os americanos”. Com essa ideia política o presidente norte-americano James Monroe, em 1823, buscava eliminar a interferência europeia na América estabelecendo a liderança dos Estados Unidos no continente. A supremacia norte-americana foi construída com a política econômica de recolonização da América do Sul.

Em poucas décadas, a América Latina passou de colônia da Europa para colônia dos EUA que buscou conquistar novas terras, “civilizar” a população indígena, explorando riquezas naturais, biodiversidade e consolidando-se como potência e liderança nas colônias sul-americanas. Embora haja reações da parte de alguns países, alguns dirigentes das repúblicas latino-americanas, o continente permanece sobre a doutrina, ideologia e hegemonia política dos Estados Unidos da América. Como se não bastasse, qualquer tentativa de libertação dos países sul-americanos, estes sofrem as imposições, restrições, embargos da parte do imperialismo americano.

Os EUA constantemente renovam as formas de modus operandi sobre a América Latina, após recolonizar territórios apropriam-se dos bens naturais mais preciosos para o desenvolvimento da política econômica do império. A potencialidade do imperialismo mostra-se pela prática espoliativa e por ela legitima sua concepção de superioridade estadunidense frente os países latino-americanos. A legitimação dessa espoliação acontece através da chamada política de protecionismo do continente, que nada mais é do que estratégia que nutrem suas empresas, empreiteiras e grupos econômicos.

A política protecionista é a política do amor próprio dos norte-americanos. É política que despreza as nacionalidades sul-americanas. O médico sergipano Manoel Bomfim foi um importante intelectual brasileiro e, assim como o jurista Eduardo Prado, rejeitam toda ideia de proteção dos Estados Unidos sobre à América Latina.

Prado em sua obra A ilusão Americana, questiona o caráter dos regimes republicanos latino-americanos alinhados aos Estados Unidos. A ideia de proteção do continente por meio da Doutrina Monroe é cortina de fumaça para a dominação norte-americana sobre o resto do continente americano.

Bomfim em sua obra “A América Latina: males de origem”, fala dos males latino-americanos originados dos EUA tanto por questões externas – como da colonização espoliativa, que impõe a relação assimétrica entre metrópole e colônia, e conhecimento dada pelo colonizador. Nas questões internas aponta o conservadorismo como essência, transplantação da cultura e assimilação e imitação de elementos socioculturais estranhos as nacionalidades e repúblicas latino-americanas.

Para ambos teóricos, a situação de colônia e de males do Continente Sul são resultado da política de “proteger” as nações latino-americanas. Que, por seguinte, o protecionismo leva à dependência dos Estados Unidos da América. Hoje, no limite de qualquer situação latino-americana cabe aos estadunidenses as decisões políticas e militares de acordo com seus interesses.

O pré-candidato à presidência dos EUA, Donald Trump, durante o discurso de Convenção do Partido Republicano da Carolina do Norte, em junho, criticou a fraca política externa de Joe Biden a com relação América Latina, afirmando: “quando saí do governo, a Venezuela estava prestes a colapsar, nós teríamos tomado o país e pegaríamos todo aquele petróleo”. O discurso deixa claro que a maior riqueza natural, o petróleo, precisa estar sob o domínio norte-americano. O petróleo é a moeda mais precisa para os EUA.

Com a mudança na política de preços, a Petrobrás tem o melhor primeiro semestre de vendas dos últimos seis anos, comercializando 424 mil barris por dia de gasolina. Diga-se de um aumento de 15,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho reflete a política de preços da Petrobrás, que abandonou a paridade de importação obtendo maior competitividade frente às principais concorrentes internacionais.

É de suma importância que os países da América Latina garantam políticas econômicas internas e externas que fortaleçam o Continente Sul. Políticas que possam reverter-se em benefícios das populares latinas, com maior acesso a recursos, seguridade social, saúde, educação e a preservação das riquezas naturais, como as biológicas, energéticas e minerais.

Enfim, para bem latino que a moeda de maior valor do Continente Sul, o petróleo, seja de usufruto do continente e que essa riqueza natural não vá para outro reino, hoje mais que abastado, opulento.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

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