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O ser uma nova criatura

Miguel Debiasi

 

A vida pessoal e social pode ser insidiada pelo pecado, exorta os ensinamentos bíblicos e da Igreja. Por natureza as pessoas correm o risco de cometer deslizes morais e sociais. Por outro lado, as pessoas em sua dimensão interior e espiritual também radicam empenhos pela edificação moral e social. Esta vontade interior e cultivo espiritual para o cristão pode ser traduzido pela palavra conversão, uma metanoia.

O carnaval do Brasil tornou-se para muitos a festa da folia, da diversão, do entretenimento, sem dúvida, da maior comemoração do ano. Com efeito, milhões de brasileiros não medem esforços com reservas de economias para participar desta festividade. A outros, o carnaval tornou-se uma indústria de ganhar dinheiro, a exemplo das redes hoteleiras, as fábricas de cervejas. O carnaval também é a oportunidade do ganha pão de milhares de trabalhadores do setor informal, com a venda ambulante de produtos alimentícios. Há também aqueles que pensam o carnaval como uma oportunidade de protestar contra as políticas públicas. Por esses e por muitos outros benefícios o carnaval está enraizado na cultura e na função social do povo brasileiro.

Aprecie ou despreze o carnaval, ele precisa ser promovido como um evento que engrandece a cultura brasileira. Parece-nos bastante razoável o apoio aos valores morais e sociais inerentes a cultura carnavalesca. Esta postura permite a crítica aquilo que desvirtua a maior festa popular do povo brasileiro. O julgamento pejorativo e preconceituoso desabona os valores morais, sociais e da tradição carnavalesca da nação. O presidente da república durante o último carnaval postou um vídeo obsceno em suas redes sociais desonrando a maior festividade popular da nação. As cenas de comportamento obsceno visava menosprezar as críticas dos carnavalescos ao governo federal e a pessoa do presidente da república. No entanto, a iniciativa do presidente da república provocou uma grande repercussão negativa de seu governo e de sua pessoa nas redes sociais e na mídia internacional.

Aos críticos da arte do carnaval avaliam que presidente deseja controlar as narrativas sobre o seu governo em benefício pessoal ao invés da nação. Para o jurista Miguel Reale Júnior: “a divulgação de um vídeo contendo atos obscenos pelo presidente Jair Bolsonaro configura quebra de decoro e justifica abertura de um processo de impeachment”. O presidente pode ser enquadrado na lei 1.079 de 1950, que rege: “é crime contra a probidade na administração pública proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”. Ao postar um vídeo no Twitter com cenas obscenas o presidente obteve sua pior repercussão entre seus apoiadores. O fato é, nada menos que 3,4 milhões de seus seguidores abandonaram as plataformas digitais do presidente da república.

Em contexto de grande conexão virtual, a vida dos indivíduos adquire ou perde significação a cada postagem feita nas redes sociais. Certamente, para evitar constrangimentos, parece-nos bastante lógico, ao menos para um cristão, espelhar-se na vida de Jesus Cristo. Mesmo diante do forte apelo a exposição virtual, o cristão em Jesus Cristo pode tornar-se uma nova criatura como escreve São Paulo, apóstolo (Romanos 6,1-11). Ademais, Jesus Cristo o caminho, a verdade e a vida, não é exclusividade dos cristãos, mas para toda humanidade ou ao menos para as pessoas de boa vontade (Lucas 2,14). Acredita-se, por fé ou pela lei natural, inerente a natureza humana há uma vocação última que ilumina todo ser humano para um comportamento ético e moral.

Muitas vezes se disseram que a mensagem do Evangelho transforma o ser humano, a ponto de realizar uma verdadeira metanoia, ou da conformação a Cristo. Acreditando na transformação interior das pessoas, o apóstolo São Paulo orienta os cristãos da comunidade de Corintos: “tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1Coríntios 3,22-23). Para um cristão, a realidade começa mudar a partir da própria pessoa. O ensinamento cristão acredita na capacidade de conversão pessoal, mediante um vida comunitária e uma estrutura de valores sociais, morais e espirituais. A Igreja considera que quanto mais fiel ao verdadeiro Messias, Jesus Cristo, transformar-se a pessoa humana em uma nova criatura em Deus (1Coríntios 7,31). No decurso da história muitos cristãos fizeram grandes mudanças interiores, constituindo-se numa nova criatura, por excelência encontrada em Cristo. Logo, pensar e agir com probidade expressa bem as formas convencionais e a postura de alta envergadura social e pessoal.   

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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