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O menor investimento público da história

Miguel Debiasi

A palavra investimento foi um termo muito usado em tempos não distantes por economistas e analistas políticos. Porém, com a crise econômica provocada pelos poderosos grupos econômicos mundiais, a palavra investimento desapareceu do vocabulário dos economistas e analistas. Num cenário nacional de retração da economia é importante a compreensão do termo investimento.

Desde a origem ao nosso tempo o termo investimento teve mutação de seu sentido. Originalmente do latim investire, representa e significa vestir. Nos dicionários modernos o termo investir está relacionado ao contexto das finanças, do tipo empregar capitais com o objetivo de obter lucro. Porém, devido à quantidade de expressões, sobretudo em inglês e português, o termo investimento ampliou sua abrangência e pode ser confundido. Com isso, a palavra investimento pode estar relacionada a mais de 20 expressões associadas ao mundo da economia, do cotidiano de trabalho de um empreendedor ou investidor.

Quanto ao uso em português o termo investimento é muito amplo. Está associado, por exemplo, à alíquota que é um percentual ou valor fixo, como o do recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS). Já no âmbito empresarial o termo investimento é sinônimo de benchmark que é um processo de comparação de performances que visa considerar as melhores práticas do mercado. Ou seja, benchmark é a forma de controle de um trabalho com objetivo de averiguar se foram atingidas as metas e a superação dos patamares planejados. De todo sentido, o termo investimento abrange o universo relacionado à economia, ao mercado, à aplicação de capitais, sejam eles financeiros, imobiliários, ou do agronegócio.

Portanto, investimento diz respeito ao mundo dos rendimentos e das estratégias dos investidores, isto é, de um trabalho monitorado para se converter em mais dinheiro, lucro. Assim, investimento é um conceito e um tema imprescindível em gestão de recursos, de pessoas, de controle de mercado, negócios e em política econômica como de sua segurança e rentabilidade. Como é lógico neste universo, o investimento revela o perfil do investidor.

No caso específico do governo federal, a aplicação da taxa investimento, também chamada de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) que inclui o que se investe em máquinas e equipamentos, construção civil e inovação, em 2019 foi a menor desde 1967, foi para 15,5% do PIB. Segundo levantamento do economista Manoel Pires, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a taxa de investimento do governo federal é o pior resultado nos últimos 50 anos. Segundo o economista, a taxa de investimento será ainda menor por causa da vigência da PEC 55 do Tetos dos Gastos. Pior, este alerta que a PEC 55, do congelamento dos investimentos públicos por 20 anos, aprovada em 13 de dezembro de 2016, não terá seus valores corrigidos pela inflação do ano, conforme levantamento de Manoel.

O estudo do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) feito pelos economistas Marcel Balassiano e Juliana Trece apontam que no ano passado, num total de 172 países, 152 registraram taxa de investimento maior que a do Brasil. No cruzamento dos levantamentos estatísticos do FGV e IBRE, constatou-se que a taxa média global de investimento em setor público ficou 26,2%, ou seja, 10 pontos percentuais maior que a do Brasil. Para estes economistas, isto somado ao baixo crescimento da economia, próximo a 0,6%, significa que o Brasil está na recessão. Sendo assim e não havendo aumento de investimento de recursos por parte da União, sugere que haverá a precarização dos serviços públicos, como o sistema da saúde (SUS), educação, segurança, saneamento básico. Lamentavelmente, o baixo orçamento da União com os serviços públicos submeterá aos caos a população brasileira.

 

 

 

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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