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“O brasileiro só passa fome porque quer...”

Miguel Debiasi

 

A ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro, Tereza Cristina, afirmou em 9 de abril de 2019, durante sessão na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados: que "o brasileiro só passa fome porque quer, pois não aproveita a grande quantidade de mangas existentes no país”. A ministra ao zombar da situação de milhões de brasileiros provoca reações e reflexões.

A manga é uma das mais deliciosas frutas do Brasil e tem um cheiro muito bom que a distingue de outras variedades de frutas. São aproximadamente 24 tipos de manga produzidas no Brasil. Entre as tantas variedades, as mais conhecidas são a manga Fiapo e a Carvalho que pode pesar até 1 Kg. A manga é considerada uma das melhores frutas do verão por conter vários minerais, como fósforo, cálcio, ferro, cobre e zinco, que são de suma importante para a saúde das pessoas. Também, a manga contém uma série de nutrientes como carboidratos, fibras, antioxidantes e vitaminas, tais como A, B, C, E e K. Por esses e outros benefícios a manga é uma fruta consumida por toda a população mundial, sobretudo em saladas frescas e sucos.

Quanta à origem da manga, segundo relatos históricos foi trazida da Ásia pelos portugueses e adaptou-se bem às condições climáticas do Brasil. Devido a elas o Brasil produz um milhão de toneladas de manga por ano. Sua maior produção encontra-se na região Nordeste. Somente nas plantações do Vale do São Francisco trabalham mais de 60 mil pessoas. As fazendas que cultivam manga chegam a um faturamento anual de R$ 900 milhões. Logo, a fruta é altamente benéfica à saúde e à economia.

Contudo, para além destes benefícios, há de convir que a afirmação da ministra da Agricultura soa como deboche diante do grande número de desempregados e pobres da sociedade brasileira.Em fevereiro o número de desempregados do país chegou a 13,1% da população e a taxa de pobreza no Brasil atingiu 54,8 milhões de brasileiros. Segundo o IBGE, a taxa de pobreza no Brasil passou de 2016 para 2017 de 25,7% para 26,5%. Seria ingenuidade considerar que a ministra da Agricultura não tenha conhecimento destas informações. Porém, com sua afirmação a ministra despreza a situação dos empobrecidos pelo próprio sistema.

Seguramente, a ministra serve ao agronegócio, ou seja, aos grandes fazendeiros, latifundiários e pecuaristas da nação. A estes facilita através da elevação absurda do preço da carne bovina, da flexibilização dos mecanismos para as exportações de grãos, da comercialização de produtos alimentícios e defensivos agrícolas. O ministério está a serviço da cadeira produtiva da agricultura, pecuária, avicultura, do mercado internacional. Com isso, faz da produção de alimentos um grande negócio culminando na maior concentração de renda e capital da história na mão de poucos afortunados. Lógico que é preciso incentivar toda a cadeia produtiva do país, porém, em vista de um desenvolvimento humano de toda a população brasileira.

A ministra da Agricultura ao estar voltada apenas ao mercado é que se sente autorizada a ridicularizar a fome alheia. Sua afirmação de que “os brasileiros só passam fome porque têm manga nas cidades” é um escárnio com o povo brasileiro. Aliás, esta não foi uma afirmação isolada da parte dos ministros do governo federal que com frequência zombam da vida alheia. Obviamente, com aqueles que estão na margem da sociedade, vítimas do sistema econômico. Aos que ocupam um cargo público estratégico para proporem iniciativas e projetos para o crescimento do país é preciso dizer-lhes que uma nação se desenvolve quando todos têm de fato uma mesa farta. Infelizmente, foi pensando que só os ricos têm direito de comer que a ministra elevou o preço da carne bovina.

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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