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Nosso estado de felicidade

Miguel Debiasi

Recente pesquisa dos fatores que trazem felicidade confirma provérbios populares como “Dinheiro não traz felicidade”; “Felicidade não se compra”; “Felicidade não se acha”. A ONU divulgou resultado de pesquisa feita com dados de 2015 a 2017 sobre a felicidade das pessoas em 156 países. Os indicadores incluídos na pesquisa incluem expectativa de vida, renda, liberdade, nível de corrupção e políticas direcionadas a assegurar o bem-estar dos indivíduos. O Brasil caiu do 22º para 28º lugar no ranking de estado de felicidade.

Caso seja possível um conceito ou uma definição, visto ser experiência bastante subjetiva, ao apresentar as informações da pesquisa da ONU, vale perguntar-se: O que é a felicidade? Quais as condições para ter vida de felicidade? Embora os muitos debates sobre a temática, desde os primórdios da humanidade, todo ser humano busca compreensão da felicidade. Entre os muitos estudos da felicidade está a ideia do pensador grego Aristóteles (384-322 a.C.). Em sua obra “Ética a Nicômaco”, define a felicidade como o “Sumo Bem”, vindo a ser o fim último desejado de todas as ações humanas.

Para Aristóteles o “Sumo Bem” é aquilo a que todas as coisas tendem a ser construídas. Para explicar como isto se formula na consciência das pessoas o filósofo argumenta com exemplos como: o fim último da medicina é a saúde; o da política é governar; o do trabalho é a riqueza. Para o pensador, em cada coisa pensada e executada há intrínseco algo do bem supremo. Acredita que em toda ação humana há uma “arte mestra” que pretende alcançar a felicidade. No entanto, para Aristóteles a felicidade não é obvia, mas articula-se com o modo de vida a ser alcançado. Por conseguinte, para Aristóteles a felicidade é alcançada por uma orientação racional, vinda do pensamento. Nesta condição, para o escravo e trabalhador seria impossível a felicidade, por serem excluídos dos círculos de debates e estudos, aos quais Aristóteles frequentava. Logo, em Aristóteles a felicidade não é propensa para todos e sim, aos cidadãos livres e soberanos para exercer um trabalho intelectual.

Afinal, o que realmente faz uma vida feliz? Esta é uma pergunta nada fácil de ser respondida. Pesquisadores da maior Universidade do Mundo, Harvard, nos Estados Unidos, se fizeram esta pergunta em 1938 e para respondê-la foi feita uma pesquisa Study of Adult Development, ou seja, Estudo sobre o Desenvolvimento Adulto. A pesquisa iniciou em 1938, observando e monitorando 700 rapazes entre estudantes da universidade e moradores de bairros pobres de Boston. Atualmente são mais de mil pessoas participantes desta pesquisa. O método de observação consiste em acompanhar as pessoas durante toda a vida, monitorando seu estado mental, físico e emocional.

Segundo estes estudos, a conclusão mais fundamental e mais importante para uma vida com felicidade vem da qualidade dos relacionamentos humanos. As pessoas mais felizes são as que têm relacionamentos e estão conectadas aos outros. O relacionamento mantém corpo e cérebro em permanente estado saudável por mais tempo. No entanto, não se trata de qualquer relacionamento que traz felicidade. Para que haja verdadeira felicidade existe uma condição que é ter uma relação de qualidade, definida como “uma relação em que você se sente seguro, em que pode ser você mesmo".

Os estudos da ONU e da Universidade revelam outras facetas da vida humana. Concluíram que a solidão é a consequência da falta de conexão ao outro. As coisas só fazem sentido quando trazem felicidade. Isto contrapõe a ideia de Aristóteles de que a felicidade advinha do exercício racional e da atividade intelectual. Também contrapõe a ideia de que poder, fama e status de celebridade trazem felicidade. O mesmo vale para o dinheiro, renda, capital ou necessidades humanas satisfeitas: não trazem felicidade. Também um estilo de vida contemplativa não é garantia de felicidade. No entanto, a pesquisa da ONU constatou que os brasileiros estão ficando infelizes, pois o país caiu seis posições no ranking. Sejam quais forem as razões, os brasileiros estão descontentes com a condição do Brasil.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

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