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Natal: foi lhe dado o nome, Deus conosco

Miguel Debiasi

O período de Natal tornou-se, em nível planetário, o tempo de maior consumo das pessoas. O comerciante espera ansiosamente esse tempo e usa maciça divulgação para atrair compradores. Até mesmo em tempo de crise econômica e de alto índice de desemprego shopping centers ficam lotados. Ruas são tomadas por pessoas em busca de mercadorias para presentear familiares e amigos. Seu ápice é a ceia de Natal, farta em comidas e bebidas. Isto merece reflexão.

Essa prática tornou-se um rito comum a todos, até os cristãos chamam isto de Natal. Contudo, será a celebração do nascimento do Senhor um exagerado consumo? Ao menos para um cristão essa prática é indevida com o significado da encarnação do Filho de Deus. O que todos chamam de Natal tem uma razão fundamental de ser, está além do consumo. Fazer compras, levar os filhos pequenos ao shopping para sentar no colo do Papai Noel é da vontade humana. Nisto nada há de sentido bíblico do Natal. O nascimento de Jesus Cristo remete ao significado religioso da vida humana e do tempo histórico. O nascimento do Emanuel, o Deus conosco (Mateus 1,18-25) coroa e presenteia toda uma caminhada de fé iniciada pelo povo de Israel, como profetizou Isaías (Isaías 7,14).

O Filho de Deus ao encarnar-se feito homem está relacionado à realização da esperança do povo de Israel. O nascimento de Cristo realiza a promessa do Senhor de libertar seu povo que andava nas trevas e viu uma grande luz, firmando o direito e a justiça (Isaías 9,1-6). É neste contexto religioso e histórico que o profeta Isaías descreve as virtudes e os títulos do Senhor: “ele recebeu o poder sobre seus ombros e lhe foi dado o nome: Conselheiro maravilhoso, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz” (Isaías 9,5). A encarnação de Deus exprime a realização da esperança do povo de Israel, hoje esperança da Igreja, e que proporciona a salvação.

A comemoração do Natal do Senhor tem um propósito claro para os cristãos, fazer memória e atualização do nascimento do Filho de Deus enviado pelo Pai para a salvação da humanidade. Diferente da visão do mercado, que força as pessoas para um grande consumo, os cristãos recordam e celebram o Natal do Senhor como evento de libertação. É neste sentido que a Virgem Maria canta: “minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus meu Salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva” (Lucas 1, 46-47). Pois, como escreve o evangelista São João: “Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3,16).

Mas, devido à grandeza da festa do Natal do Senhor, a indústria aproveita a oportunidade para comercializar seus produtos, fascinar clientes como as crianças, para ganhar polpudos lucros. No entanto, cabe ao cristão ser antagonista desta prática, estar ciente de que a figura do Papai Noel idolatrado pelas crianças não condiz com o nascimento do Filho de Deus que reclinou sua cabeça numa manjedoura (Lucas 2,7). Sem sombra de dúvida, há uma verdadeira discrepância entre o significado do nascimento do Senhor com as festas natalinas promovidas pelo comércio capitalista.

Na verdade, o grandioso comércio natalino revela em boa parte que as pessoas não conhecem a Jesus. Talvez uma significativa parcela das mesas esteja cheia de comida e de presentes, mas pode estar vazia de esperança do Cristo Salvador. Em outra realidade, muitas mesas completamente vazias de comidas e de presentes, talvez estejam cheias de esperança no Cristo salvador do mundo. Nesta compreensão do Natal do Senhor, a ceia natalina sem a fé em Cristo simboliza apenas mesa como lugar do comer e do beber, ausente do amor de Deus pela humanidade. Para todo cristão a celebração do Natal do Senhor é um tempo propício para crescer no amor a Deus e ao próximo.

Cada comemoração do Natal do Senhor é oportunidade de um novo nascimento do ser humano, renovado pela encarnação de Deus. O novo ser humano capaz de acolher em seu coração o amor infinito de Deus Pai que presenteia a humanidade com seu Filho Salvador do mundo. Pois Natal é a Boa Notícia e convite a toda humanidade para ajuntar-se à multidão dos anjos para cantar: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele ama” (Lucas 2,14). Então, diante de tantos sinais contraditórios ao significado do Natal, será preciso voltar os olhos para a manjedoura dos animais, pois lá nasceu o Salvador, que é o Cristo-Senhor, o Deus conosco (Lucas 2, 12).

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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