Não encontrei as palavras certas
Procurava no vazio do dia uma palavra, uma atitude, um sentimento que me completasse, ou melhor, que me complementasse. Acima de tudo, que não me deixasse sem direção, mas que serviria de ajuda para que eu mantivesse a ilusão de que eu não estava tão perdida quanto parecia estar.
Qual palavra é a certa para dizer? Quando a raiva toma conta, quando as palavras vêm atrapalhadas, quando a lucidez foge, falta o “eu não concordo”, “poderia ser diferente”, “você me magoou”... mas elas não aparecem por mais que desejasse. No lugar das palavras, um misto de não compreensão, de ficar estagnada nos pensamentos e nas atitudes toma conta de todo o meu ser, que não sabe e não consegue se comunicar.
Busco a que for sincera, a que vem do coração, a que não precisa ser ensaiada. A que vem ao nosso encontro, embalada em papel crepom. Mas e se não vier, como fico tentando encontrar uma forma de me comunicar?
Tenho pra mim que posso dizer muita coisa, depende das palavras que utilizo, do jeito que me comunico. Então, só preciso organizar os pensamentos, serenar os sentimentos e deixar que aquele momento tenso se acalme; que ele se reorganize internamente em mim, em primeiro lugar.
O silêncio algumas vezes, pode ser a palavra certa no momento incerto, seja diante da dor que dilacera, a do não saber o que dizer. Saber que necessita estar ali e somente se permitir abraçar, segurar a mão, pode representar mais que muitas palavras.
Dentro do meu refletir, que as palavras encontrem uma direção, que eu consiga acompanhar o que está acontecendo. Que a compreensão não me falte. Que os sentimentos me acompanhem. Que eu não desista nunca de tentar. Que eu encontre o direcionamento adequado...
Que a minha entrega, diante do vazio que conheci, seja alimento para um tranquilo continuar.
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