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Louvado sejas, meu Senhor!

Miguel Debiasi

Louvado sejas, meu Senhor!

A Igreja convida os 1,3 bilhões de católicos do mundo a comemorar o 5º ano da Carta Encíclica do Sumo Pontífice Francisco, Laudato Si, mi’Signore – Louvado sejas, Meu Senhor. Em sintonia com essa iniciativa seguem três reflexões. Nesta, resgata os aspectos de espiritualidade da criação, bíblicos e teológicos do cuidado com a “casa comum”, como propõe a Laudato Si.

Antes de adentrar no conteúdo do documento Laudato Si, recorda-se das agressão ao solo, mares, oceanos, rios, lagos, queimadas da Amazônia, desmatamentos irregulares, vazamento de petróleo, descartes de dejetos de minérios de forma irregular e muitas outras ações incorretas e ilegais. É de conhecimento internacional que no último ano estas agressões ao meio ambiente foi uma ação constante no Brasil.

O Papa inspirado no cântico das criaturas de São Francisco de Assis, recorda que a “casa comum” ou planeta terra pode ser comparada “ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe de braços abertos”. São Francisco rezava: “Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos e coloridas flores e ervas”. Sem dúvida, sua oração resgata a Teologia da Criação do livro do Gênesis onde seus autores ou teólogos exaltam o Deus Criador pela beleza da sua criação: “Deus viu tudo o que tinha feito: era muito bom” (Gênesis 1,31). Em tudo que Deus criou há uma espiritualidade da vida, aponta os teólogos do livro do Gênesis.

Tudo que existe, o céu, a terra, a luz, os dias, o firmamento, a água, os mares, todas espécies de árvores, as verduras, as ervas, as estrelas, os seres vivos, aves, os animais selvagens e domésticos, o homem e a mulher, foi criado por Deus num equilíbrio universal. Os teólogos e as teólogas do livro do Gênesis definem a obra criada por Deus um verdadeiro paraíso, o jardim de Éden, o lugar das delícias (Gênesis 2). Na perspectiva bíblica, jardim é o lugar da harmonia da vida e das criaturas. Ele representa toda criação divina, da qual as gerações do passado, do presente e as do futuro gozaram dos benefícios do ato Criador de Deus.

O papa Francisco na Laudato Si’, mi Signore – recorda que a mãe terra é obra de Deus, a qual a dispôs para a vida de todas as criaturas do planeta. Porém, reconhece que a humanidade está longe de admitir essa condição: “esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou”. Por conseguinte, denúncia da falsa compreensão do ser humano quanto ao uso da obra de Deus: “crescemos pensando que éramos seus proprietários e dominadores, autorizado a saqueá-la”. A falsa compreensão de uso da obra de Deus gerou uma perversa atitude do ser humano: “a violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos”. Ao colocar-se de proprietário e dominador o ser humano corrompe a função da obra divina, não mais para vida, mas sim, para exploração. Por conseguinte, a sua destruição e degradação.

Entre os sinais destruição e degradação da mãe terra ou “casa comum” estão os pobres, seres humanos abandonados e desassistidos pela ganância econômica. A humanidade empobrecida é sinal que a terra está devastada e oprimida, como diz são Paulo que “geme e sofre as dores do parto” (Romanos 8,22). As constantes ações contra a “casa comum” tem levado ao empobrecimento de bilhões de pessoas e ao esquecimento da natureza frágil e mortal do ser humano (Gênesis 2,7). Criado com parte integrante da terra, o ser humano precisa que todas as criaturas do planeta sejam devidamente respeitadas para terem vida. Sem um ar puro que o permita respirar, sem a água pura não há vida em abundância.

Seguramente, as inúmeras agressões ao meio ambiente ocorridas no Brasil, o convite a retomar a reflexão da Laudato Si, mostra que o papa Francisco é verdadeiro profeta do século XXI que indica caminhos: “que nada deste mundo é indiferente aos cristãos”. Ao desafiar os cristãos para a reflexão da problemática ecológica é sinal que o profetismo da Igreja chega as dimensões mundiais, planetárias. O profetismo da Igreja está em função da vida e do equilíbrio natural das criaturas e do universo. O papa Francisco diante dos grandes sinais de deterioração global, dirige-se aos cristãos para reagirem e que proponham projetos acerca do cuidado da “casa comum”. No sentido bíblico e teológico, um ato em favor do meio ambiente, da mãe terra e das criaturas, será no século XXI o profetismo dos cristãos que ressoa mundialmente.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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