Você está ouvindo
Tua Rádio
Ao Vivo
 
 

Indicativos para Igreja Católica

Miguel Debiasi

 

Uma grande dificuldade da Igreja católica, sem dúvida alguma, é sua relação com os jovens. Nas últimas décadas as paróquias viram diminuir muito a participação dos jovens na comunidade, e, consequentemente, a busca dos sacramentos como a crisma e o matrimônio. Para o papa Francisco a situação merece atenção e desafia a Igreja a buscar aproximação com a juventude. Certamente, esta tarefa é imprescindível para o futuro da Igreja católica, sobretudo em realidade urbana.

Pela Exortação Apostólica Christus vivit (Cristo está vivo), dedicada sobretudo aos jovens, o pontífice aponta caminhos para a Igreja. Com sua singular capacidade intelectual e espiritual de não sobrepor as ideias à realidade da vida, o pontífice identifica algum problema da Igreja católica com a relação à juventude. Entre as dificuldades da Igreja está insistir nas velhas práticas pastorais. Os velhos métodos de conduzir a ação pastoral ruíram perante as mudanças sociais e culturais da modernidade. Consequentemente, caducaram muitas orientações morais sem fundamentação teológica e bíblica. Tampouco serve a Boa Notícia de Jesus quando há separação entre a vida e a fé em Cristo.

Ainda em sua leitura sociológica da situação, o papa Francisco reconhece que não é tão fácil a Igreja aproximar-se dos jovens da modernidade. As inquietações, as problemáticas da Igreja com relação aos jovens, em boa parte proliferam devido às estruturas eclesiais e ao jeito de evangelizar os jovens. Uma das urgências é criar a consciência de que toda a comunidade é responsável por evangelizar. Em outras palavras, o protagonismo da evangelização não está no sacerdote e nas coordenações dos serviços, mas em toda a comunidade. Neste caso, os jovens devem ser os próprios agentes de evangelização da juventude. O reconhecimento de que os jovens têm sua capacidade de evangelizar não significa dizer que a problemática é da juventude, mas da Igreja com relação às novas gerações.

Na visão do pontífice, quando os jovens são aceitos como agentes de pastoral levam toda a comunidade a perceber que é necessário assumir novos estilos e novas estratégias para evangelizar a juventude. Se por um lado os adultos justificam a necessidade de ter tudo planejado e bem coordenado, por outro lado os jovens indicam a flexibilidade e a novidade. Portanto, fazem-se necessárias práticas comunitárias em que é valorizado o carisma de cada membro da comunidade para evangelizar e promover o Evangelho. A Igreja católica não é uma unidade monolítica, mas uma comunidade de múltiplos carismas e dons conduzidos pelo Espírito Santo (Atos dos Apóstolos 2,1-11).

Mais especificamente aos jovens a Exortação Apostólica Christus vivit oferece duas grandes linhas de ação pastoral juvenil. Uma é a busca, a convocatória, o chamado que atrai novos jovens para a experiência com Cristo. A outra é o crescimento, o desenvolvimento de um caminho de maturação de suas experiências. Quanto à busca, refere-se ao acreditar e motivar que o jovem encontre seus caminhos de convocar a juventude por meio de iniciativas como festivais, competições esportivas, canções, vídeos, retiros, articulação por meio de redes sociais. A pastoral juvenil precisa reconhecer que todos têm potencial para atrever-se a convocar e semear a fé no coração de outros jovens.

Quanto ao crescimento, a Igreja precisa usar uma linguagem de proximidade, do amor interessado e do existencial que possa tocar o coração do jovem. Para isto é possível oferecer meios de formação e qualificação ao jovem, debatendo as questões que envolvem sua vida, seus sonhos e esperanças. Mas, para a convocação e para o crescimento exigem-se ambientes adequados para a acolhida aos jovens. Porém, todos os espaços são adequados quando proporcionam ao jovens um ambiente de lar, de casa. A Pastoral da Juventude precisa de espaços e de organizações que constituam a Igreja como grande família dos jovens.

Por fim, ao estudar com maior profundidade a exortação do papa Francisco haverá a percepção de outros indicativos à ação pastoral da Igreja Católica. Sem dúvida, a clara evidência do pontífice desafia a melhorar a Igreja de Cristo em presente contexto de sociedade moderna, sobretudo a depositar mais esperança na capacidade e talentos dos jovens.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

Enviar Correção

Comentários

Newsletter Tua Rádio

Receba gratuitamente o melhor conteúdo da Tua Rádio no seu e-mail e mantenha-se sempre atualizado.

Leia Mais