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Coronavírus e o retorno de outras doenças no Brasil

Miguel Debiasi

 

A humanidade mundial ficará infectada num breve período de tempo pela epidemia do Coronavírus. A possibilidade é tão real que a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o Coronavírus se trata de uma Pandemia. Numa situação de Pandemia toda população mundial fica numa condição de vulnerabilidade, indefesos. A situação é tão preocupante que merece uma reflexão sobre as políticas públicas referente a saúde da população.

O Coronavírus é uma enfermidade epidêmica amplamente disseminada em uma proporção mundial. Ou seja, o Coronavírus é uma epidemia, ou uma doença infecciosa ou transmissível e de caráter transitório. Contudo, na demora de um diagnóstico e da descoberta de uma vacina ou antibiótico para o seu combate, as pessoas são orientadas a prática de bons hábitos de higiene para evitar a contaminação. Contudo, os bons hábitos higiênicos não passam de uma medida preventiva que visam abrandar e acalmar a opinião pública. Por conseguinte, a Pandemia do Coronavírus revela um grande problema mundial, dos poucos recursos econômicos e humanos empregados a saúde pública. 

O fato coloca as autoridades e os governos no epicentro do surto epidemiológico do Coronavírus. Em vista de combater a pandemia os países desenvolvidos disponibilizam um considerável recurso econômico a saúde pública. A China, o primeiro país a ser atingido pela epidemia, disponibilizou de uma enorme quantia de recursos econômicos e humanos, suficientes e necessários para combater a epidemia. Tamanha foi a vontade política da parte do governo chinês em combater a epidemia que em dez dias construíram um ultra hospital para o cuidado das pessoas contaminadas. Ademais, o governo chinês empenhou os melhores profissionais na área da saúde, equipamentos, trabalhadores e uma infraestrutura pública capaz de conter a epidemia. Prova é, que sendo um país com a maior população do mundo, chegando a 1,394 bilhões de pessoas, num curto período de tempo conseguiram erradicar a epidemia do coronavírus.    

No Brasil, um dos últimos países a serem atingidos pela epidemia do Coronavírus, a população mostra-se tensa e desconfiada quanto da vontade política do governo e da capacidade do serviço público em combater a doença. A insegurança e a tensão social é provocada pelo próprio governo ao reduzir recursos no orçamento do setor da saúde. Pode-se dizer que boa parte da desconfiança da população tem nome: o congelamento dos gastos da saúde por vinte anos, através da PEC 241, aprovada em 2017 na Câmara dos Deputados e a PEC 55 no Senado Federal. Também conhecida de Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos que alterou a Constituição brasileira de 1988 para instituir o Novo Regime Fiscal.

Em razão do corte de recursos orçamentários para saúde pública da parte do governo federal, tem elevado a tensão e a insegurança da população. Para piorar a situação, o atual governo federal em 2019 deixou de repassar 9 bilhões para o serviço da saúde. O não repasse tem impactado no sucateamento do SUS, na redução das políticas públicas em saúde, a queda nas coberturas das vacinas em todo o país. Por conseguinte, desde o final de 2016 várias doenças já erradicadas no Brasil, retornaram a ser motivos de preocupação da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). As preocupações dos Organismos Internacionais e as autoridades sanitárias e profissionais de saúde, como da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), está a confirmação do retorno das doenças, como do sarampo, da Poliomielite, da Rubéola, da Difteria.

Na avaliação do ex-ministro da Saúde e médico sanitarista Artur Chioro, teme que a redução dos recursos para saúde e a perda do certificado de doença já erradicadas no Brasil, impacte de forma negativa no enfrentamento da epidemia do Coronavírus no Brasil. O temor deve-se “a capacidade de resposta do SUS, da competência das equipes de saúde ou dos gestores, mas da insuficiência de recursos e dos desfinanciamento da saúde pública brasileira, e do não repasse de 20 bilhões que deixaram de ser aplicados nos serviços regulares de saúde, por parte do governo Bolsonaro”. Seguramente, sem recursos econômicos, humanos, estruturas hospitalares não se tem prevenção da saúde, nestas condições todos estão vulneráveis, sujeitos a infectação. 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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