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Conversão Ecológica (II)

Miguel Debiasi

Em continuidade ao texto precedente, intitulado “Conversão Ecológica (I)”, acrescento outros elementos de reflexão e de ação, ainda com base na Carta Encíclica Laudato Si', do Pontífice Francisco. Faz jus prosseguir com o manifesto que veio em boa hora e exorta que o homem não é rival dos homens nem dos seres da criação. É de opinião geral que Francisco pauta uma preocupação mundial: o cuidado com nossa casa, a Terra.

Para a continuidade do planeta Terra a encíclica propõe uma revolução na concepção de ecologia e a mudança na ideia de desenvolvimento econômico mundial, enquanto ainda é tempo, para não amargar consequências irreparáveis num futuro próximo. Alerta também que a Terra e tudo que vive sobre sua superfície correm perigo enquanto o ser humano continuar se portando como inimigo do homem e da natureza. Com este foco o conteúdo da encíclica destaca desde as primeiras páginas que a necessidade de cuidado advém de maus hábitos humanos e da fragilidade da natureza. Aponta que a verdadeira compreensão ecológica não se separa da justiça para com os pobres. É preciso abertura a categorias que transcendam a linguagem das ciências exatas e da biologia, levando ao contato com a essência do ser humano. Entender que o mundo é maior que um problema a resolver, um mistério a ser apreciado e respeitado. A tarefa de proteger a nossa casa comum incluiu o desafio de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, um apelo por uma nova solidariedade universal.

Francisco apresenta o conteúdo da proposta em eixos temáticos, integrando novos elementos para a reflexão e para a mudança de hábitos e práticas. Os principais são: A relação entre os pobres e a fragilidade do planeta; A convicção de que no mundo tudo está interligado; A crítica ao paradigma e às formas de poder que derivam da tecnologia; O convite a buscar outras maneiras de compreender a economia e o progresso; O valor próprio de cada criatura; O sentido humano da ecologia; A necessidade de debates sinceros e honestos; A grave responsabilidade da política internacional e local; A cultura do descarte; A proposta de um novo estilo de vida. A encíclica finaliza evocando o exemplo de Francisco de Assis que celebra com alegria o encontro com todas as criaturas. Sem esta postura, o Planeta Terra, nossa casa comum, pede socorro! Mudar, no sentido de conversão ecológica, é preciso para entoar o cântico: “Louvador sejas, meu Senhor, pelo nosso planeta!” 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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