Câmara de Vereadores de Fagundes Varela abre CPI para investigar vereador
A Comissão Parlamentar de Inquérito foi aprovada por unanimidade e vai investigar possível uso irregular de recursos públicos em viagem à capital gaúcha
A Câmara Municipal de Fagundes Varela aprovou por unanimidade, na noite da quinta-feira (19), a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a concessão e utilização de diária pelo vereador Diego Russi (PP), referente a deslocamento para Porto Alegre.
O pedido de abertura da comissão foi protocolado com base em informações, relatos e denúncias que passaram a circular no município a partir de 17 de dezembro de 2025. Conforme o requerimento lido em plenário, o vereador teria solicitado diária para viagem à capital gaúcha com a finalidade de participar de reuniões na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, tratando de pautas com deputados estaduais.
No entanto, segundo o documento, fotografias e mensagens divulgadas em aplicativos de comunicação indicariam que, na mesma data, o parlamentar esteve nas dependências do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, acompanhado de outras pessoas, supostamente para tratar da aquisição de direitos relacionados a um jogador de futebol.
Ainda conforme o requerimento, o vereador apresentou documentação à Câmara declarando presença na Assembleia Legislativa como justificativa para a diária recebida. Diante das divergências, o então presidente do Legislativo em 2025, vereador Volnei Cativelli (MDB), encaminhou ofício à Assembleia solicitando a verificação de eventual registro de entrada do parlamentar na data mencionada.
Em resposta oficial, a Assembleia informou que não há registro de ingresso do vereador em suas dependências naquele dia. Mas ressaltou que existem outros acessos ao prédio da Assembleia nos quais não há registro eletrônico
de entrada.
O texto que fundamenta a CPI destaca que, caso confirmados, os fatos podem caracterizar irregularidade administrativa, uso indevido de recursos públicos e violação de deveres inerentes ao mandato parlamentar. A comissão deverá apurar a veracidade das informações prestadas, a regularidade na concessão e utilização da diária e eventual responsabilidade administrativa e política.
Com a aprovação unânime, a CPI foi oficialmente criada e deverá iniciar os trabalhos em até cinco dias, com prazo de 60 dias úteis para apresentação do relatório final, prorrogáveis por mais 30 dias.
Como o vereador investigado é filiado ao Progressistas (PP), ficou definido que a comissão será composta por parlamentares de outras siglas. A presidência ficará a cargo de Volnei Cativelli (MDB), a secretaria com Marilene Ruy Cortellini (PDT) e a relatoria com Rafaela Benetti Molossi (MDB).
A comissão terá a responsabilidade de analisar documentos, ouvir envolvidos e, ao final, apresentar conclusões que poderão resultar na adoção de medidas administrativas e regimentais cabíveis.
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