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Estudo aponta aumento significativo das chuvas nos últimos seis anos em Veranópolis

por Alessandra Bernardi

Levantamento agrometeorológico mostra mudança no regime de precipitações, com volumes acima da média a partir de 2023 e impactos diretos na agropecuária da Serra gaúcha

Foto: Divulgação

A edição especial nº 100 do Comunicado Agrometeorológico, divulgada pelo governo do Rio Grande do Sul, reúne dados de seis anos e destaca a influência direta do clima na produção agropecuária no estado. O levantamento evidencia um cenário de forte variabilidade climática no Estado, com períodos de estiagem seguidos por volumes excessivos de chuva, impactando diretamente lavouras e rebanhos.

Em Veranópolis, os números reforçam esse comportamento. Em 2020, o acumulado anual foi de 1.832 mm, levemente acima da média. Já em 2021, houve redução para 1.610 mm, dentro de um período marcado pela estiagem. Em 2022, os volumes voltaram a subir, atingindo 1.902 mm.

A partir de 2023, no entanto, o cenário mudou significativamente. O município registrou 2.727 mm de chuva, seguido por um pico em 2024, com 2.957 mm, influenciado pelos eventos extremos que atingiram o Estado, especialmente entre abril e maio. Em 2025, mesmo com diminuição, o acumulado permaneceu elevado, chegando a 2.367 mm.

Os dados refletem a atuação dos fenômenos climáticos globais. Entre 2020 e 2022, a predominância do La Niña contribuiu para volumes abaixo da média e prejuízos nas safras. Já entre 2023 e 2024, o El Niño favoreceu o aumento das chuvas, resultando inclusive em episódios extremos, como a catástrofe climática registrada no Estado em 2024.

No contexto estadual, o levantamento aponta que a irregularidade na distribuição das chuvas tanto pela escassez quanto pelo excesso, esse que é um dos principais desafios para a agropecuária. Essa variação influencia diretamente o desenvolvimento das culturas, como soja e trigo, podendo causar desde pequenas oscilações até quebras significativas de safra, dependendo do estágio das lavouras no momento dos eventos climáticos.

Além da agricultura, o comunicado também aborda os impactos na pecuária, especialmente na produção leiteira. A análise biometeorológica indica aumento na ocorrência de estresse térmico em bovinos nos períodos mais quentes, o que pode comprometer a produtividade. Já no inverno, as condições tendem a ser mais favoráveis, com predominância de conforto térmico para os animais.

De acordo com a pesquisa, o acesso a informações agrometeorológicas é fundamental para orientar decisões no campo, permitindo antecipar cenários, reduzir riscos e minimizar os impactos de um clima cada vez mais marcado por extremos no Rio Grande do Sul.

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