Vendas do comércio de Caxias do Sul recuam em abril, mas setor mantém crescimento no acumulado de 2026
Queda de 2,2% interrompe sequência positiva do ano; implementos agrícolas lideram retração e número de empregos no comércio também diminui
O comércio de Caxias do Sul registrou retração de 2,20% nas vendas em abril na comparação com março, interrompendo uma sequência de resultados positivos observada desde o início de 2026. Apesar da queda mensal, os indicadores seguem apontando um cenário favorável para o setor ao longo do ano, com crescimento acumulado de 5,09% nos quatro primeiros meses.
Os dados integram o Termômetro de Vendas da CDL Caxias e foram apresentados nesta quinta-feira (11) durante coletiva de imprensa realizada na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC).
Na comparação com abril de 2025, o volume de vendas avançou 4,48%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a alta chega a 5,78%, demonstrando que o comércio local continua operando em patamar superior ao registrado no ano passado, apesar da desaceleração observada em abril.
Segundo o assessor de Economia e Estatística da CDL Caxias, Mosár Leandro Ness, o resultado negativo não surpreende e está relacionado ao comportamento sazonal tradicional do período.
Historicamente, abril costuma apresentar menor intensidade nas vendas após os primeiros meses do ano. Além disso, a desaceleração de segmentos ligados à comercialização de bens de maior valor agregado contribuiu para o desempenho mais fraco do comércio local.
Entre os segmentos que compõem o chamado ramo duro — formado por produtos de maior valor e geralmente financiados — a principal queda foi registrada no setor de implementos agrícolas, que apresentou retração de 10,46% em relação ao mês anterior.
Também tiveram desempenho negativo os setores de eletrodomésticos, móveis e bazar (-8,39%), informática e telefonia (-5,42%), ótica e joalheria (-4,25%), materiais elétricos (-2,35%) e materiais de construção (-1,06%).
O único segmento do ramo duro que apresentou crescimento em abril foi o de automóveis, caminhões e autopeças novos, com alta de 1,84%.
Para analistas do setor, a redução nas vendas de implementos agrícolas reflete um ambiente de maior cautela por parte dos produtores rurais e o adiamento de investimentos em máquinas e equipamentos, comportamento que acaba impactando diretamente o desempenho do comércio local.
No ramo mole, que reúne segmentos de consumo mais frequente, o destaque positivo ficou para o setor de vestuário, calçados e tecidos, que registrou crescimento de 0,64%.
Por outro lado, algumas atividades apresentaram retrações significativas. O segmento de livrarias, papelarias e brinquedos registrou queda de 10,10%, seguido pelas farmácias (-7,17%) e pelo setor de produtos químicos (-6,30%).
O desempenho mostra um consumidor mais seletivo, concentrando seus gastos em categorias específicas e reduzindo despesas consideradas menos prioritárias.
Os indicadores de crédito também apontam para um ambiente de maior cautela entre consumidores e lojistas.
O volume de consultas de crédito caiu 0,36% em abril na comparação com março e apresentou redução de 6,55% frente ao mesmo período do ano passado. As consultas realizadas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) pelos lojistas também registraram leve retração de 0,31% no comparativo mensal.
Enquanto a procura por crédito diminui, a inadimplência segue em trajetória de crescimento.
O número de consumidores com débitos em atraso aumentou 0,84% em relação a março e apresentou expansão de 8,50% na comparação com abril de 2025.
O estoque financeiro das dívidas também avançou. Em abril, houve crescimento de 0,70% no valor total dos débitos registrados. No acumulado do ano, a alta chega a 3,07%, enquanto em 12 meses o crescimento alcança expressivos 13,08%.
Embora as inclusões de novos débitos tenham diminuído 1,09% em relação a março, o indicador ainda apresenta expansão anual de 7,12%. As exclusões de registros de inadimplência também recuaram no comparativo mensal (-1,50%), mas cresceram 6,83% em relação ao mesmo período do ano passado.
O mercado formal de trabalho também refletiu o momento de desaceleração observado em abril.
De acordo com o levantamento, o comércio de Caxias do Sul encerrou o mês com 29.122 trabalhadores com carteira assinada. O número representa uma redução de 529 vagas em relação a março.
Na comparação com abril de 2025, quando o setor contabilizava 29.394 empregos formais, a queda foi de 272 postos de trabalho.
A redução ocorre em um momento em que empresas avaliam custos operacionais e ajustam seus quadros diante de um ritmo de vendas menos intenso do que o observado no início do ano.
Apesar dos indicadores negativos registrados em abril, os números acumulados mostram que o comércio de Caxias do Sul continua em trajetória de crescimento ao longo de 2026.
A expansão superior a 5% no acumulado do ano demonstra que a atividade econômica permanece aquecida, sustentada principalmente pelos resultados obtidos nos primeiros meses do período. O desafio para os próximos meses será manter o ritmo de recuperação diante do avanço da inadimplência, da redução do crédito e da desaceleração observada em alguns segmentos estratégicos do varejo.
Com datas importantes para o comércio no calendário do segundo semestre, como o Dia dos Pais, a Black Friday e as vendas de fim de ano, empresários acompanham atentamente os próximos indicadores para avaliar se a queda de abril representa apenas um movimento sazonal ou o início de uma desaceleração mais duradoura do consumo na região.
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