População da microrregião de Veranópolis acumula mais de R$ 123 milhões em dívidas atrasadas
Nova Prata concentra o maior volume de devedores, ao total, são 6.500 pessoas, com dívida média de R$ 9.571,90 por inadimplente
O Brasil atravessa um cenário crítico de inadimplência. Em julho, o país encerrou o mês com 78,16 milhões de pessoas com dívidas em atraso, a maior marca da série histórica da Serasa. São mais de 307 milhões de pendências financeiras que juntas somam R$ 482 bilhões, com valor médio de R$ 1.570,17 por débito. Na microrregião de Veranópolis, que reúne os municípios de Veranópolis, Cotiporã, Fagundes Varela, Vila Flores e Nova Prata, a situação não é diferente. Ao total, são 13.611 inadimplentes, que acumulam um montante superior a R$ 123,9 milhões em débitos atrasados de acordo com os dados da Serasa.
No Rio Grande do Sul, a situação acompanha a tendência nacional. Mais de 3,6 milhões de gaúchos estão inadimplentes, o que representa 41,16% da população do estado. O montante das dívidas ultrapassa R$ 25,4 bilhões, com média de R$ 6,9 mil por pessoa. Porto Alegre concentra o maior número de devedores, com mais de 550 mil.
Microrregião de Veranópolis
O retrato do endividamento na microrregião de Veranópolis chama atenção. Nova Prata concentra o maior volume de devedores, ao total, são 6.500 pessoas, com dívida média de R$ 9.571,90 por inadimplente. Logo atrás aparece Veranópolis, com 5.510 inadimplentes e montante total de R$ 46,1 milhões. Já Fagundes Varela apresenta a maior média individual da região: R$ 10.961,30 por pessoa, acima da média estadual.
Outro dado que chama atenção é o ticket médio por dívida. Em Cotiporã (R$ 1.997,94) e Fagundes Varela (R$ 2.131,88), o valor médio de cada débito é superior ao da média nacional (R$ 1.570,17), indicando que os consumidores desses municípios tendem a acumular dívidas mais pesadas junto a cada credor.
Jovens puxam renegociações
Apesar da alta na inadimplência, os primeiros meses de 2025 mostraram um crescimento expressivo de negociações de dívidas, especialmente entre os jovens. No Brasil, a faixa entre 18 e 25 anos registrou aumento de 49% nas renegociações em relação ao ano passado. No Rio Grande do Sul, o índice foi de 43,94%, revelando uma geração mais disposta a buscar alternativas para equilibrar as contas.
Reflexo da realidade econômica
A inadimplência crescente na região espelha o cenário estadual e nacional, mas com agravantes locais. Especialistas apontam que a instabilidade econômica, aliada ao aumento do custo de vida, pressiona famílias e reduz a capacidade de pagamento. O endividamento elevado, por sua vez, compromete não apenas os consumidores, mas também o comércio e os serviços, que enfrentam retração no consumo.
Enquanto os jovens aparecem como protagonistas nas renegociações, buscando regularizar as contas, os números revelam que o desafio da microrregião é profundo: equilibrar finanças em meio à pressão inflacionária e ao crédito cada vez mais caro.
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