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Inadimplência atinge 81,7 milhões de brasileiros e cresce 38% em 10 anos no país

por Alessandra Bernardi

Reincidência e baixa renda marcam perfil dos endividados, aponta a Serasa

Foto: Divulgação

 

O número de brasileiros inadimplentes chegou a 81,7 milhões em 2026, um aumento de 38,1% em relação a 2016, segundo dados divulgados na terça-feira (24) pela Serasa Experian, durante evento que marca os 10 anos do Mapa da Inadimplência.

O levantamento aponta que o crescimento ocorreu mesmo em períodos de queda da taxa básica de juros, indicando que o endividamento das famílias brasileiras deixou de ser pontual e passou a ter caráter estrutural ao longo da última década. Além do aumento no número de inadimplentes, o valor total das dívidas registrou alta de 176% no período. Já a dívida média por consumidor avançou 12,2%, considerando valores corrigidos pela inflação.

Atualmente, quase metade dos inadimplentes, cerca de 48%, possui renda de até um salário mínimo. Outros 30% recebem até dois salários mínimos, o que evidencia a maior vulnerabilidade das camadas de baixa renda.

Outro dado que chama atenção é a reincidência: 42% dos brasileiros que estão inadimplentes em 2026 já enfrentavam essa situação há dez anos, o equivalente a cerca de 34 milhões de pessoas.

Segundo a especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, o avanço da inadimplência reflete uma combinação de fatores econômicos e comportamentais.

“O período foi marcado por juros elevados e pressão inflacionária, que impactaram diretamente o orçamento das famílias”, afirma. De acordo com ela, a ampliação do acesso ao crédito também contribuiu para o cenário. “Muitos consumidores passaram a utilizar o crédito como complemento de renda, e não como um recurso pontual”, explica.

Mudança no perfil

O estudo também revela mudanças no perfil dos inadimplentes. As mulheres passaram a ser maioria, somando 40,4 milhões em 2026, ante 27,7 milhões em 2016.

Há ainda um processo de envelhecimento da inadimplência. A participação de jovens entre 18 e 25 anos caiu de 15,93% para 11,45% no período. Em contrapartida, aumentou a presença de pessoas com mais de 60 anos entre os negativados.

Para a Serasa, essa transformação indica mudanças no comportamento financeiro da população e reforça a necessidade de políticas voltadas à educação financeira.

Impactos na economia

O crescimento da inadimplência tem efeitos diretos sobre a economia. Com maior parcela da população endividada, a capacidade de consumo diminui, o que impacta o comércio e pode desacelerar a atividade econômica.

Além disso, a expansão das dívidas com instituições financeiras aponta para uma maior dependência do crédito, especialmente em um cenário de juros elevados.

Negociação e desafios

Os dados foram apresentados durante o Feirão Serasa Limpa Nome, que reúne mais de duas mil empresas e oferece descontos que podem chegar a 99% para renegociação de dívidas.

Apesar das condições facilitadas, especialistas alertam que renegociar é apenas o primeiro passo. O principal desafio segue sendo evitar a reincidência.

“Negociar as dívidas é fundamental, mas é preciso garantir organização e planejamento para manter o equilíbrio financeiro no longo prazo”, reforça Aline Vieira.

O Feirão segue até o dia 1º de abril em todo o país.

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