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IBGE alerta para quadro preocupante na saúde mental de adolescentes

por Alessandra Bernardi

Três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25)

Foto: Agência Brasil

Um retrato preocupante da saúde mental dos jovens brasileiros foi divulgado nesta quarta-feira (25) pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. O levantamento mostra que três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmam se sentir tristes sempre ou na maioria das vezes. Em proporção semelhante, os adolescentes relataram já ter tido vontade de se machucar de propósito.

A pesquisa, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2024, ouviu 118.099 estudantes de 4.167 escolas públicas e privadas em todo o país, sendo considerada representativa da população escolar brasileira.

Além da tristeza frequente, outros indicadores reforçam o cenário de alerta: 42,9% dos alunos disseram se sentir irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer motivo, enquanto 18,5% afirmaram pensar, com frequência, que “a vida não vale a pena ser vivida”.

Apesar da gravidade dos dados, menos da metade dos estudantes frequenta escolas que oferecem algum tipo de suporte psicológico. Na rede privada, o índice chega a 58,2%, mas cai para 45,8% nas escolas públicas. A presença de profissionais de saúde mental nas instituições é ainda mais limitada, atendendo apenas 34,1% dos alunos.

O sentimento de desamparo também aparece de forma significativa: 26,1% dos estudantes disseram sentir constantemente que ninguém se preocupa com eles. Além disso, mais de um terço afirmou que pais ou responsáveis não compreendem suas preocupações, e 20% relataram ter sofrido agressão física em casa ao menos uma vez nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Os dados revelam uma diferença expressiva entre os gêneros, com indicadores mais alarmantes entre as meninas. Entre elas, 41% relatam tristeza frequente, contra 16,7% dos meninos. A vontade de se machucar também é maior: 43,4% entre alunas, frente a 20,5% entre alunos.

Outros indicadores seguem o mesmo padrão: 25% das meninas afirmam pensar frequentemente que a vida não vale a pena, o dobro dos meninos (12%). A percepção de abandono também é maior entre elas, assim como a sensação de não serem compreendidas pela família.

 

Autoagressão e bullying agravam quadro

A pesquisa aponta ainda que cerca de 100 mil estudantes tiveram alguma lesão autoprovocada no período de 12 meses analisado, o que corresponde a 4,7% dos jovens que sofreram acidentes ou lesões.

Entre esse grupo, os indicadores de sofrimento emocional são ainda mais elevados: 73% relatam tristeza constante, 62% dizem não ver sentido na vida e 69,2% afirmam já ter sofrido bullying.

As meninas também aparecem com maior proporção de autoagressão: 6,8% entre aquelas que sofreram ferimentos, contra 3% entre os meninos.

Outro ponto de atenção é a queda na satisfação com a imagem corporal. O índice caiu de 66,5% em 2019 para 58% em 2024. Entre as meninas, mais de um terço se declarou insatisfeita com a própria aparência.

Embora 21% das alunas se considerem gordas ou muito gordas, mais de 31% afirmaram estar tentando perder peso — um indicativo de pressão estética mais intensa sobre o público feminino.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de buscar apoio. O Ministério da Saúde orienta que adolescentes e familiares procurem ajuda em redes de apoio e serviços de saúde.

Entre as opções estão os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Unidades Básicas de Saúde, UPAs, hospitais e o Centro de Valorização da Vida, que oferece atendimento gratuito e sigiloso 24 horas pelo telefone 188.

A recomendação principal é não enfrentar o sofrimento sozinho e procurar ajuda ao primeiro sinal de sofrimento emocional.

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