AGESAN aponta falhas no abastecimento de água e aplica penalidades à Corsan em Veranópolis
O abastecimento de água em Veranópolis gerou nas últimas semanas transtornos à população e motivou uma fiscalização específica da agência reguladora
O abastecimento de água em Veranópolis gerou nas últimas semanas transtornos à população e motivou uma fiscalização específica da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Rio Grande do Sul (AGESAN). A análise resultou em um relatório técnico que identificou falhas na prestação do serviço e aponta medidas corretivas à concessionária responsável.
De acordo com a agência reguladora, que atua como órgão público responsável por fiscalizar e normatizar os serviços de saneamento, foram identificadas diversas não conformidades no sistema local operado pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan).
Desde o início da atuação da AGESAN no município, em 2024, já foram registradas 165 não conformidades, sendo que 117 foram solucionadas até o momento de acordo com o diretor-geral da Agesan, Tiago Luis Gomes. As demais seguem em processo de análise ou adequação por parte da concessionária.
Conforme o relatório já disponível no site da agência, foram analisadas recorrentes interrupções no abastecimento de água em Veranópolis, registradas principalmente nos meses de fevereiro e março de 2026. A vistoria, realizada a pedido do poder público municipal, identificou que o sistema de abastecimento do município é integrado ao de Vila Flores, com captação no Arroio Retiro e tratamento na Estação de Tratamento de Água de Veranópolis.
Durante a fiscalização, foi constatado que a estrutura da estação de tratamento estava em funcionamento e sem danos aparentes, assim como a captação de água, que apresentava condições adequadas de operação no momento da vistoria. No entanto, foram identificadas falhas importantes no sistema, especialmente relacionadas à redução da vazão de água captada em dias específicos, o que resultou na diminuição da produção de água tratada e, consequentemente, no desabastecimento da população.
Entre as causas apontadas estão oscilações no fornecimento de energia elétrica e falhas operacionais, como problemas em bombas de captação e ausência de acionamento automático de equipamentos reserva. Em alguns casos, houve interrupções prolongadas até a substituição de equipamentos, agravando a falta de água. Além disso, verificou-se deficiência no monitoramento, com ausência de registros operacionais, tanto de falhas quanto de qualidade da água em determinados períodos, o que dificulta a rastreabilidade dos problemas.
Outro ponto crítico identificado de acordo com o relatório foi a ineficiência na adoção de medidas de contingência previstas no plano de emergência, como o uso de geradores de energia, que não foram comprovadamente utilizados. Também foram observadas falhas na comunicação e no registro das ocorrências, incluindo falta de documentação de manutenções e informações pouco claras sobre as causas das interrupções repassadas à agência reguladora.
O relatório conclui que o desabastecimento está diretamente ligado à vulnerabilidade operacional do sistema, especialmente à dependência de energia elétrica e à ausência de respostas rápidas e estruturadas diante de falhas. Como resultado, a Agesan-RS determinou a necessidade de um plano de ação por parte da prestadora de serviço e aplicou autos de infração devido às irregularidades constatadas, visando garantir melhorias na continuidade e na qualidade do abastecimento de água no município.
O valor total das penalidades podem chegar a aproximadamente R$ 80 mil, conforme estimativa da regulação. No entanto, de acordo com o diretor-geral da Agesan, o foco da atuação do órgão não é a aplicação de multas, mas a melhoria efetiva dos serviços prestados à população.
A atuação da agência ocorre como instância intermediária entre usuários, municípios e prestadora de serviço, buscando soluções administrativas mais rápidas e evitando, sempre que possível, a judicialização dos conflitos.
Confira o relatório completo clicando aqui.
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