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Sofrer com o outro é diferente de sofrer pelo outro

Neusa Picolli Fante

Proteger o outro, que ao nosso lado segue, não significa impedi-lo de sofrer. Muitas vezes, adiar o sofrimento de quem não queremos que sofra não é a melhor receita para que ele aprenda. É adiar o seu aprendizado, que em algum momento vai ter que ser concretizado, absorvido. Quando protelado, torna-se mais difícil compreendê-lo e, assim, o tempo vai passando, o aprendizado não vai se construindo e o indivíduo fica cada vez mais distante do que precisa ser assimilado e transformado.

 

Poupar... poupar é pagar com outras coisas. Pagar com a ignorância emocional do outro. Pagar com mais sofrimento pelo adiamento, pela venda que se impõe diante dos olhos e com a angustia da não compreensão daquele que tentamos colocar no não-sofrimento.

 

Provocar o sofrimento de alguém é muito diferente de não deixá-lo aprender com suas próprias dificuldades. Proteger para que o mal não atinja quem não queremos que seja ilusoriamente prejudicado nem sempre cabe a nós e pode ser que o impeça de crescer emocionalmente.

 

Devemos ter claro que todos nós vivemos situações difíceis. E que as pessoas que amamos também passam por aprendizados complicados. Existem os que se acolhem diante das dificuldades e os que se encolhem – que nós escolhamos permanecer no primeiro time.

 

 

 

Sobre o autor

Neusa Picolli Fante

Psicóloga Clínica e Especialista em Teoria, Pesquisa e Intervenção em Luto. Graduada em Comunicação Social.  Autora do livro Caminho dos Girassóis: Uma abordagem sobre o luto, Dor sem Escuta, Entrelinhas da Vida, Quintais da Minha alma.

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