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O tecido do lugar de opção

Marta Maria Godoy

Pacientes leitores, já adianto que não tenho nenhum conhecimento profundo sobre “vaticanismo”, “hierarquia na Igreja Católica”, estudos avançados em Bíblia etc etc. Assim, o que pretendo dizer (o título do texto adianta...) caminha apenas na direção evangélica que qualquer mortal pode enfocar... me perdoem os biblistas, os exegetas e por aí afora, se eu cometer algum engano que possa atrapalhar algum estudo mais exigente das Sagradas Escrituras... Falo apenas de meu lugar de opção.

O mundo vê, acredito que estarrecido, o que vem sendo mostrado pela mídia a respeito de opiniões, constantes de diversos setores da Igreja e da sociedade, que se mostram, de forma evidente, contrárias à forma com que o Papa Francisco, desde o início de seu pontificado, vem tentando direcionar seu governo da Igreja.  Há mesmo gente pedindo sua renúncia! De nossa parte, tão perto do “fim do mundo” de Jorge Bergoglio, observamos o quanto amigos, parentes, mesmo irmãos e irmãs na fé, se posicionam abertamente em favor de punições, de “olho por olho”, de exclusões e até da perversa forma de estruturar a sociedade em que os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, batendo de frente com as propostas de Jesus de Nazaré de audição do outro, misericórdia, perdão, partilha, amor incondicional... 

Mas onde o Papa Francisco vai buscar respaldo para sua forma de ver o mundo e a Igreja? Onde estão as diretrizes para que nossa adesão a uma Igreja conforme ele vem tentado dar visibilidade, possa se efetivar? De uma forma bem direta, e isso já foi dito milhões de vezes:  no Evangelho de Jesus de Nazaré, ora! Temos de nos lembrar que “Evangelho” quer dizer “Boa nova”. Isto é, não basta ser algo novo; é também bom! Sabemos que “o novo” pode ser um problema! Há o medo da novidade, do que ela pode acarretar nas nossas vidinhas medíocres muitas vezes... mas será que nem o fato de “ser bom” pode desendurecer um coração preso na segurança? Eu ousaria dizer que não! Até a “boa”, constante da origem grega da palavra “Evangelho”, parece estar sendo relativizada! Relativizam-se todas as coisas que vão contra os interesses dos que se negam a ver um pouco mais adiante; que, eloquentes de desprezo por tudo o que inclui (e a novidade de Jesus traz esse olhar em primeira mão!), vão aos borbotões destruindo o que se edifica nesta direção. Muitos não suportam a verdade evangélica de certas ações, de certas pessoas e as querem eliminar! Tratando-se de utopias perigosas porque alimentam esperança e acenam para a justiça, a inclusão e, consequentemente, para a paz, são pedras no caminho de quem está no encolhimento do olhar e não consegue vislumbrar as dores da humanidade como suas também, pois que isso inevitavelmente transmutará seu estar-no-mundo, conduzindo para a incapacidade de odiar, aliada à construção de uma missionariedade condutora para a pregação da justiça. 

Não vou enumerar aqui os textos escritos pelas comunidades onde Jesus passou em seu tempo histórico. Está lá, na Bíblia. Tampouco faço citações dos documentos escritos por Francisco. É só colocar no Google. Mas quero terminar dizendo que, daqui do meu lugar de opção, que identifico também como o lugar de opção do Papa, algo foi se formando, um tecido foi-se configurando. E esse tecido continua se encontrando com outros tecidos igualmente compostos pelos mesmos fios – os do Evangelho de Jesus de Nazaré. Talvez não seja um tecido tão imenso como desejaríamos que já fosse, mas estamos a tecê-lo incansavelmente, junto do Papa Francisco, em favor absoluto dos pobres, sobretudo.

Sobre o autor

Marta Maria Godoy

Religiosa consagrada. Graduada em Letras. Pós-graduada em Linguística Aplicada - Leitura e Produção textual. Mestranda em Teologia pela EST/S. Leopoldo, na área de Teologia Prática.

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