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Mulheres feias/sujas x mulheres bonitas/limpas

Marta Maria Godoy

Dentre muitos dos disparates contidos em postagens nas redes sociais, atualmente, dois me chamaram a atenção de forma especial: “... as mulheres de direita são mais bonitas que as de esquerda” e “as mulheres de direita são mais higiênicas que as de esquerda”. Ainda que não seja verdade, que estas afirmações jamais tenham sido proferidas, alguém as lançou na rede. E isso basta para construir algo no imaginário das pessoas: as “mulheres de esquerda” além dos outros qualificativos circulantes, são feias e sujas!  Paremos para pensar: ninguém disse que os homens de esquerda são feios e sujos! Falou-se de mulher!

Me lembrei do tema da pureza, muito ligado à questão feminina. Em conversa com um conhecido, falamos das “prostitutas” mencionadas na Bíblia. Há muitas passagens, mas o meu conhecido se ateve àquelas em que a prostituta “é uma pecadora”, uma “impura”. Inquirido por mim sobre o fato de que ela deveria se prostituir com “alguém” e que não constava esse fato no texto bíblico e, portanto, não deveríamos fazer uma leitura apressada daquela passagem, ele tentou argumentar, mas não conseguiu...  O tema da pureza é, pois, conhecido ao longo da história da humanidade e levantado até hoje, haja vista a conversa que narrei e os posts na Rede. A pureza, de imediato, remete a uma exigência de limpeza contra o outro (a outra!), catalogado como sujo, percebido como lixo. Precisamos estar atentos a que a pureza comporta, ao mesmo tempo um apelo ao sagrado. Daí que vemos todo tipo de “religioso”, hoje, de Bíblia sob o braço, que pode, a partir do binômio pureza (beleza, limpeza) / impureza (feiura, sujeira), constituir um enorme trampolim para construir um “inimigo” a ser combatido! Daí para uma “sujeira do corpo social” é um passo!

Mas as mulheres, não vamos nos deixar combalir por essas tiradas que só mostram a fragilidade dessas pessoas, em geral homens, infelizmente. Contudo é necessária, sim, a atenção para uma visão ampla daquilo que leva à construção (ainda!) do ideal de pessoa (mulher?) saudável, ariana, bela, limpa... Se voltarmos nosso olhar para um passado não tão longínquo, vamos nos deparar com o quadro de horror que resultou da política do ideal de pureza entre os líderes e militantes racistas do nazi-fascismo dos anos 1930/40 de nossa era!

 

Sobre o autor

Marta Maria Godoy

Religiosa consagrada. Graduada em Letras. Pós-graduada em Linguística Aplicada - Leitura e Produção textual. Mestranda em Teologia pela EST/S. Leopoldo, na área de Teologia Prática.

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