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A esperança dos pobres jamais se frustrará

Miguel Debiasi

 

“A esperança dos pobres jamais se frustrará” (Sl 9,19). Com este lema o papa Francisco divulgou mensagem para o Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado no dia 17 de novembro deste ano. A iniciativa do papa Francisco de instituir o Dia Mundial dos Pobres é de uma admirável atualidade. É oportunidade de a humanidade refletir sobre a situação de um bilhão de pessoas que passam fome diariamente.

A mensagem do 3º Dia Mundial dos Pobres foi divulgada em 13 de junho na festa de Santo Antônio, considerado modelo de solidariedade e de acolhida do pobre. As razões para os cristãos se relacionarem de forma amorosa com os pobres são imprescindíveis. O pontífice apresenta as razões teológicas inquestionáveis. Em sua hermenêutica teológica recorda o salmista que diante do grande sofrimento do povo invoca a justiça de Deus como sinal de esperança para os pobres (Sl 10, 1-15). Aos olhos do salmista Deus grava sua esperança no coração dos humilhados, pobres, excluídos, mesmo enquanto sofrem a precariedade da vida por inúmeras injustiças.

A preferência de Deus pelos pobres da terra significa que não tolera o sofrimento ou qualquer ato injusto com os menores, desfavorecidos, os humilhados. Isso significa que Deus não consente com o opressor e com quem alcança riqueza explorando o próximo (Apocalipse 3,17). O drama e a miséria do pobre escandalizam Deus e ferem com injustiças sua obra. A desigualdade social arquiteta no coração de Deus seu desejo de reparar as injustiças contra o pobre. Pois, o Reino de Deus é precisamente a herança dos pobres (Mateus 25,40). Não é possível esquivar-se da justiça de Deus ao pobre. Afastar-se da justiça ao pobre é sonegar a mensagem de Deus.

Como assinalam as Bem-Aventuranças (Mateus 5,1-12), vivemos numa sociedade que considera o pobre um parasita. No entanto, Deus inaugura seu Reino com esses humilhados. Precisamente, as Bem-Aventuranças são um anúncio paradoxal do Reino de Deus para a sociedade humana; o coração de Deus pertence aos pobres. O mundo contemporâneo, conduzido por uma economia neoliberal, de competição entre os mais poderosos grupos econômicos, tem produzido no transcorrer dos últimos anos muita miséria, e desvalorizado o espírito de solidariedade. Tampouco se pode esquecer que por conta desta economia perversa e excludente afloraram a violência, a intolerância e a perda de valores éticos, humanos, religiosos, sociais.

Então, constituiu-se uma sociedade de poucos privilegiados e de muitos empobrecidos, mais de um bilhão de pessoas passam fome e carecem de toda condição material para viver dignamente. A opção pelos últimos ou por aqueles que a sociedade descarta e lança fora deve ser uma escolha prioritária dos discípulos e seguidores de Jesus (Mateus 25,31-46). A grande credibilidade da Igreja, diz o papa, é “abraçar os indefesos”, porque é neles que se encontra prova real da presença de Deus.

Num contexto social que descarta seres humanos como se fossem objetos, a iniciativa do Dia Mundial do Pobre torna incisiva a necessidade de promover o anúncio e as obras do Reino de Deus (Lucas 16,19-31). Pode-se dizer que aos olhos do mundo da economia é irracional pensar que a pobreza e a indigência humana sejam sinal e tenham uma força salvífica, ou atraiam o olhar amoroso de Deus. Como escreve o apóstolo Paulo, “o que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa. Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus” (1Coríntios 1, 27-29).

Logo, o caminho de salvação é sermos coerentes com o Evangelho. A condição de pobreza não extermina o plano de Deus, mas revigora sua esperança de que o pobre seja acolhido e amado. Assim, o Dia Mundial do Pobre é um convite para que nenhuma pessoa se sinta privada do amor de Deus. E é também oportunidade de colaborar com a obra divina pelo gesto de solidariedade com os últimos da sociedade, os primeiros no amor divino.

 

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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