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Mensagem do dia 29/12
MENSAGEM – Frei Jaime Betega
“Do outro lado tem o lado do outro.”
O outro não é um número ou apenas mais alguém. O outro faz parte do nosso caminho e da nossa história. Que o respeito seja a inspiração e o melhor jeito de ir ao encontro de outro. Existe um exercício silencioso e profundamente transformador que a vida propõe o tempo todo: sair do centro e tentar enxergar a partir de outro lugar.
Do outro lado há histórias que não conhecemos, dores que não imaginamos, medos que não são os nossos. Muitas vezes julgamos situações, palavras e atitudes a partir de fragmentos, esquecendo que cada pessoa carrega um mundo inteiro dentro de si. O lado do outro não é apenas opinião diferente; é experiência, contexto, caminhada, limite, aprendizado.
Quando nos recusamos a enxergar além do próprio ponto de vista, estreitamos a convivência e endurecemos o coração. A empatia nasce justamente nesse deslocamento interior, quando aceitamos que a verdade pode ser mais ampla do que a nossa leitura imediata. Olhar o lado do outro não significa concordar com tudo, mas reconhecer humanidade.
Significa entender que ninguém age a partir do vazio, mas a partir do que conseguiu ser, do que aprendeu, do que sofreu, do que acredita. A vida se torna mais leve quando deixamos de transformar diferenças em muros e passamos a vê-las como pontes possíveis. Muitas feridas relacionais não nascem da maldade, mas da incapacidade de escutar sem defesa, de acolher sem julgamento, de compreender sem querer vencer.
Quando o coração se abre para esse outro lado, a rigidez perde espaço e a convivência ganha maturidade. Passamos a responder menos por impulso e mais por consciência. A escuta se torna mais generosa, a palavra mais cuidadosa, o silêncio mais respeitoso. Há uma sabedoria profunda em admitir que não vemos tudo, que não sabemos tudo, que não sentimos tudo. Essa humildade nos aproxima, nos humaniza e nos pacifica.
O lado do outro nos lembra que a vida não é disputa de versões, mas encontro de existências. E quando esse encontro acontece, algo se transforma. A compreensão não elimina os conflitos, mas muda a forma de atravessá-los. O respeito não resolve todas as diferenças, mas impede que elas se tornem feridas.
Reconhecer o lado do outro é um gesto de amor amadurecido, desses que não gritam, mas constroem. É nesse movimento que a vida se alarga e o coração aprende a habitar um mundo mais justo, mais sensível e mais verdadeiro.
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Mensagem do dia 24/12
MENSAGEM – Frei Jaime Betega
“Há em todos nós uma chama sagrada. É o Menino de Belém que vem ao nosso encontro.”
Uma grandiosa luz tornou clara a noite daquele primeiro Natal. Lembro carinho da expectativa e da alegria de todos os natais. Não é um acontecimento do passado. É algo totalmente novo, pois o amor nunca envelhece. Não importa a materialidade, pois é a festa do amor e da paz.
O mistério que se revela nesta noite não está distante nem inacessível. Ele acontece por dentro, no espaço mais simples e verdadeiro da alma. A chama sagrada não nasce do excesso, mas da humildade. Deus escolheu o pequeno para manifestar o eterno, escolheu a fragilidade para anunciar a força, escolheu o amor desarmado para tocar o mundo.
Esse nascimento não pertence apenas a um tempo passado; ele se renova toda vez que o coração se dispõe a acolher. Dentro de cada pessoa existe um lugar que pede luz, um canto que anseia por sentido, uma espera silenciosa por ternura. É ali que o Menino chega. Não com barulho, mas com paz. Não com exigência, mas com presença.
A chama cresce quando o orgulho cede espaço, quando o perdão encontra abrigo, quando a pressa desacelera e a alma respira. O Natal verdadeiro acontece quando deixamos de procurar sinais extraordinários e passamos a reconhecer o sagrado no que é simples. Um gesto de cuidado, um olhar reconciliado, uma palavra que aquece mais do que qualquer discurso.
A chama também pede cuidado. Ela não sobrevive ao ruído constante, nem à indiferença, nem à dureza do coração. Precisa de silêncio, de escuta, de disponibilidade interior. Quando protegida, ilumina escolhas, aquece relações, transforma feridas em caminho de misericórdia.
O Menino não vem para ocupar espaço, vem para ensinar a amar. Ele não toma, oferece. Não impõe, convida. Acolhê-lo é permitir que a luz conduza onde antes havia sombra, que a esperança resista onde o desânimo tentou se instalar.
E assim, nesta noite, a chama acesa dentro de nós se torna sinal vivo de que Deus continua vindo ao encontro da humanidade, não nos palácios, mas nos corações que se deixam tocar. Que o Natal seja o nosso jeito de crer e de viver. Feliz Natal!
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Mensagem do dia 19/12
MENSAGEM – Frei Jaime Betega
“Não guarde mágoas. Só estamos de passagem.”
O ser humano é realmente espaçoso, pois consegue guardar dentro de si muitas coisas, inclusive tudo aquilo que não lhe faz bem. Para esquecer aquilo não ajuda em nada, é necessário um esforço e uma atenção especial. Tenho procurado deixar no esquecimento as palavras desnecessárias que ouvi, os comentário tecidos por pessoas excessivamente negativas e os julgamentos sem procedência.
Procuro lembrar que estamos de passagem e que a vida é um instante. Afinal, guardar mágoas é como insistir em carregar pedras enquanto se caminha por uma estrada que já é curta por natureza. A mágoa ocupa espaço interior, consome energia, endurece o olhar e aprisiona o coração em um tempo que já passou. Ela não muda o que aconteceu, não corrige o outro, não repara a dor. Apenas prolonga o sofrimento dentro de quem a carrega.
A vida, tão breve e delicada, não foi feita para ser atravessada com esse peso desnecessário. Somos passageiros, e tudo o que é passageiro pede desapego. Isso não significa ignorar a dor ou fingir que nada feriu. Significa escolher não permanecer preso ao que já cumpriu seu impacto. A maturidade espiritual começa quando entendemos que perdoar é um ato de libertação pessoal.
Não se perdoa porque o outro merece, mas porque o coração precisa de espaço para respirar. A mágoa cria ruído onde poderia haver silêncio, cria rigidez onde poderia haver fluidez. Quando solta, a alma encontra descanso. O tempo aqui é curto demais para ser gasto ruminando ressentimentos. Há encontros que não se repetem, gestos que não voltam, oportunidades de amar que passam rápido.
E a mágoa nos distrai do essencial. Ela rouba o presente ao nos manter presos ao passado. A vida pede leveza porque tudo muda, tudo passa, tudo se transforma. Quem aprende a soltar mágoas aprende também a valorizar o agora, a cuidar melhor das relações, a escolher a paz como caminho. O coração que se liberta do ressentimento se torna mais sensível, mais humano, mais disponível para o que realmente importa.
Não guardar mágoas é um gesto de sabedoria, um reconhecimento de que a vida é curta demais para ser vivida em guerra interior. Estamos de passagem, e a travessia se torna mais bonita quando escolhemos levar apenas o que cabe na alma: aprendizados, gratidão e amor.
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Mensagem do dia 17/12
MENSAGEM – Frei Jaime Betega
“Se estiver cansado pare, pense reflita, descanse e não esqueça que tem asas, retome o voo e jamais desista.”
A vida é feita de muitos movimentos. A sensação é de corremos muito e não damos conta de tudo. As tendências apontam para um aceleramento do mundo. Certamente, teremos que nos desdobrar para atender todas as demandas e, mesmo assim, muita coisa ficará por ser feita. Mas não é a pressão externa que deve determinar nosso ritmo.
Se a vida é feita de escolhas, tenho escolhido viver de forma mais leve, fazendo o que é possível. Então, o cansaço não é sinal de fracasso, é sinal de humanidade. Ele surge quando damos mais do que conseguimos sustentar por dentro, quando seguimos insistindo sem perceber que a alma também precisa de pausa. Parar, nesses momentos, não é desistir do caminho, é cuidar do instrumento que caminha.
A pausa consciente permite reorganizar pensamentos, alinhar sentimentos, compreender o que precisa ser mantido e o que precisa ser solto. Pensar e refletir são gestos de maturidade, pois evitam que sigamos repetindo passos apenas por teimosia. Descansar é parte do processo, não um intervalo inútil. É no repouso que o corpo se refaz, que o coração se acalma e que a mente reencontra clareza.
Há forças que só retornam quando nos permitimos parar sem culpa. E, mesmo no descanso, é importante lembrar que há asas. Asas não significam ausência de peso, mas capacidade de ir além dele. Elas representam a força interior que permanece, mesmo quando momentaneamente recolhida. Retomar o voo não exige pressa, exige confiança.
O recomeço acontece quando aceitamos o próprio ritmo e escolhemos seguir sem violência interna. Jamais desistir não é seguir sem parar, é seguir com consciência. Há dias em que avançar é levantar voo; há outros em que avançar é permanecer em silêncio. Ambos fazem parte da travessia.
A vida não pede heroísmo constante, pede fidelidade à própria essência. Quem respeita o cansaço aprende a voar melhor depois. Quem se escuta, se preserva. E quem se preserva, encontra fôlego novo para continuar.
A alma que sabe parar também sabe quando é hora de abrir as asas novamente, porque não perdeu a direção, apenas cuidou da força. E assim, passo a passo, pausa após pausa, o voo continua, mais sábio, mais inteiro e mais verdadeiro.
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