Ministério Público recupera e destina a Caxias do Sul e Bento Gonçalves doações desviadas de vítimas das enchentes
Materiais desviados de doações internacionais para vítimas das enchentes de 2024 serão encaminhados a creches e abrigos da região
Após autorização judicial, foi assinado na sexta-feira (19), o termo de doação que formaliza o repasse de produtos apreendidos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio Grande do Sul (GAECO/MPRS) às prefeituras de Caxias do Sul e Bento Gonçalves. Os itens haviam sido desviados por oito investigados, alvos da Operação Ascaris, deflagrada no início do mês na Serra gaúcha.
Entre os materiais doados estão roupas, fraldas, mamadeiras e outros produtos, originalmente enviados dos Estados Unidos para auxiliar as vítimas das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. Com a medida, os bens passam a ter destinação social e serão encaminhados a creches e abrigos mantidos pelas administrações municipais, beneficiando famílias em situação de vulnerabilidade.
O termo de doação foi assinado pelos promotores de Justiça Adrio Gelatti, em Caxias do Sul, e Carmem Lucia Garcia, em Bento Gonçalves, juntamente com representantes das duas prefeituras. A iniciativa garante que os materiais apreendidos cheguem ao público para o qual foram originalmente destinados.
Segundo o promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, coordenador do 5º Núcleo Regional do GAECO – Serra e responsável pela Operação Ascaris, a decisão reforça o caráter social da atuação do Ministério Público. “O objetivo é assegurar que esses itens cumpram sua finalidade social, beneficiando pessoas, principalmente crianças, acolhidas em instituições”, afirmou.
Operação Ascaris
A Operação Ascaris investiga um esquema de desvio de roupas e outros materiais doados por pessoas e entidades nos Estados Unidos a organizações não governamentais. As doações, que deveriam atender vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, teriam sido repassadas irregularmente e revendidas em brechós de Caxias do Sul.
De acordo com a apuração, os envolvidos são suspeitos de organização criminosa, apropriação indébita e lavagem de dinheiro, por meio da ocultação da origem dos produtos e de movimentações financeiras destinadas a dar aparência legal aos valores obtidos com as vendas. No início deste mês, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados nos municípios de Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul. As investigações seguem em andamento.
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