Polícia Civil alerta para déficit de efetivo e perdas salariais no Estado
Baixar ÁudioAtualmente, o Estado conta com cerca de 5.400 policiais civis na ativa, número muito abaixo dos aproximadamente 9.500 previstos em lei
Representantes da UGEIRM estiveram reunidos nesta semana em Lagoa Vermelha para debater a situação da Polícia Civil no Rio Grande do Sul, com foco nas principais demandas da categoria. O encontro, realizado no campus da UPF, reuniu policiais da ativa e aposentados da região para um balanço das questões salariais, previdenciárias e estruturais que afetam a corporação. Conforme o presidente em exercício da entidade, Fábio Castro, a pauta mais urgente segue sendo a defasagem salarial, que, segundo estudos da categoria, chega a 24% nos últimos anos.
Além da questão financeira, a falta de efetivo foi apontada como um dos problemas mais graves enfrentados pela Polícia Civil. Atualmente, o Estado conta com cerca de 5.400 policiais civis na ativa, número muito abaixo dos aproximadamente 9.500 previstos em lei. Na região de Lagoa Vermelha, a sobrecarga é ainda mais evidente, especialmente na Delegacia de Pronto Atendimento, que atende diversos municípios fora do horário de expediente com apenas um plantonista por turno. Segundo Luiz Fernando Faccio, a carência de pessoal tem elevado a carga de trabalho e aumentado a preocupação com a qualidade do atendimento.
Os representantes também chamaram atenção para a baixa atratividade da carreira policial no Estado. De acordo com a UGEIRM, o atual concurso para a Polícia Civil registrou número de inscritos inferior ao esperado, reflexo, segundo a entidade, dos salários defasados e da concorrência com concursos mais atrativos em estados vizinhos, como Santa Catarina e Paraná. A preocupação é que o número de aprovados não seja suficiente sequer para preencher as vagas previstas, agravando ainda mais o déficit de servidores.
Outro ponto destacado foi a falta de diálogo com o governo estadual. Conforme Fábio Castro, a entidade busca há anos reuniões para apresentar as demandas da categoria, mas sem avanços significativos. A UGEIRM também demonstrou preocupação com a existência de delegacias operando com apenas um servidor em várias regiões do Estado, situação considerada crítica para a segurança dos profissionais e da população. Apesar das dificuldades, os representantes destacaram que a Polícia Civil segue realizando um trabalho eficiente no combate à criminalidade, mesmo diante da limitação de recursos humanos e estruturais.
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