Caxias do Sul registra 381 notificações de violência contra a mulher em seis meses
Dados da Prefeitura apontam predominância de violência moral e psicológica, enquanto rede de proteção amplia atendimentos e reduz boletins de ocorrência
Novos dados divulgados nesta semana pelas secretarias de Assistência Social e Cidadania (SMASC) e de Saúde (SMS) de Caxias do Sul, traçam um panorama preocupante sobre a violência contra a mulher no município entre julho e dezembro de 2025. No período, foram registradas 381 notificações de violência doméstica e outras formas de agressão.
O monitoramento mensal indica que novembro concentrou o maior número de casos, com 73 registros, enquanto setembro apresentou o menor índice, com 55 notificações. Os números reforçam a importância das ações de prevenção e enfrentamento desenvolvidas pela rede municipal.
Para atender à demanda, o Centro de Referência da Mulher (CRM), vinculado à SMASC, realizou 1.002 atendimentos no semestre. A maior parte ocorreu de forma remota — por telefone, WhatsApp e e-mail — representando 63,87% dos casos, enquanto 36,13% foram presenciais na sede do serviço.
O levantamento mostra que a violência raramente ocorre de maneira isolada. Entre as mulheres atendidas pelo CRM, a violência moral aparece como a mais recorrente, atingindo 41,73% das vítimas, seguida pela psicológica (22,39%) e pela física (18,32%).
Os dados da Casa de Apoio Viva Rachel, que acolhe mulheres em situação de risco extremo, revelam um cenário ainda mais grave: 91% das acolhidas sofreram violência psicológica, 72% agressões físicas e 70% violência moral. Além disso, 91% chegaram ao local sob ameaça grave ou risco de morte. No último semestre, 81 mulheres foram acolhidas, acompanhadas de 39 crianças e adolescentes.
O perfil das vítimas mostra maior concentração na faixa etária de 31 a 40 anos, responsável por 35% dos acolhimentos. A vulnerabilidade socioeconômica também é significativa: 60% das mulheres estão inscritas no Cadastro Único e 44% recebem o Bolsa Família.
Apesar do cenário preocupante, há indicadores positivos. Em janeiro de 2026, o Rio Grande do Sul registrou 11 feminicídios nos primeiros 29 dias do ano, evidenciando a gravidade do problema em nível estadual. Em Caxias do Sul, porém, os boletins de ocorrência relacionados à violência contra a mulher caíram mais de 32% em um ano — de 259 em janeiro de 2025 para 175 no mesmo mês de 2026. Outro dado relevante é que o município não registra feminicídio há mais de 12 meses, resultado atribuído à atuação integrada da rede de prevenção e proteção.
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