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“Situação nunca foi tranquila, o problema vem de mais de 20 anos”, diz prefeito sobre Hospital São Paulo

Baixar Áudio por Diones Pimentel

O prefeito de Lagoa Vermelha, Eloir Morona, afirmou em entrevista que a situação do Hospital São Paulo é de dificuldade permanente, agravada há mais de duas décadas

Foto: Tua Rádio Cacique

O prefeito de Lagoa Vermelha, Eloir Morona, afirmou em entrevista que a situação do Hospital São Paulo é de dificuldade permanente, agravada há mais de duas décadas pela falta de atualização da tabela do SUS, o que faz com que quanto mais atendimento público a unidade realiza, maior é o seu prejuízo financeiro. Segundo ele, o município repassa mensalmente R$ 530 mil, valor integralmente fiscalizado e com prestação de contas rigorosa, mas não tem ingerência sobre recursos federais e estaduais, nem sobre a gestão administrativa da Fundação Araucária, mantenedora do hospital. Morona explicou que, desde janeiro, tenta negociar mudanças, e recentemente firmou acordo para ampliar o poder de um funcionário indicado pela prefeitura, que passará a acompanhar faturamento, internações e busca por recursos, dividindo funções com o gerente médico Diego, enquanto a fundação procura um diretor hospitalar qualificado. Ele alertou que Lagoa Vermelha é o município da região que menos recebe emendas parlamentares, tanto estaduais quanto federais, e atribui a diferença a questões de articulação política.

O gestor lembrou que já enfrentou cenário pior em 2017, quando era secretário da Saúde, com salários atrasados, equipamentos danificados e risco iminente de fechamento, e garante que hoje a situação não chegou ao mesmo ponto, mas reforça que sem medidas efetivas, a redução de atendimentos ou o fechamento continua sendo uma possibilidade real. Sobre as críticas do Sindicato Médico, que cobra mais transparência, Morona admite que não tem acesso a todos os dados contábeis da fundação, embora uma auditoria feita em 2023 tenha confirmado o déficit. Ele defende que uma nova análise deve ser feita pelo Ministério Público das Fundações, órgão que considera competente para avaliar números e estrutura, e vê com ressalvas a proposta de CPI feita por vereadores, por entender que avaliações técnicas exigem conhecimento específico. “Ou se comprovam irregularidades e se corrige, ou se prova que o prejuízo é real e acaba a desconfiança para todos se unirem em prol do hospital”, destacou.

Morona descartou categoricamente aumentar o valor repassado pelo município, alegando que já investe cerca de 28% do orçamento em saúde e não há espaço orçamentário para elevação, o que também não seria solução, na sua avaliação, pois o problema é estrutural. Também não apoia a ideia de cobrar valores da população, e defende que a mobilização social deve ser direcionada para cobrar mais recursos de deputados e esferas governamentais. Em relação ao serviço de hemodiálise, garantiu que a implantação não está em risco e que o custo será compensado com a economia que o município terá ao deixar de transportar pacientes para outras cidades. Uma reunião decisiva está marcada para o dia 11, com presença de prefeitos da região, representantes da fundação e do sindicato, para definir os próximos passos. “O hospital é nosso, independente de quem gere. Temos que unir esforços para manter e melhorar”, finalizou.

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