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Subsídios Exegéticos para a Liturgia Dominical para 27 de setembro

por João Carlos Romanini

26º Domingo do Tempo Comum

Foto: Divulgação

Subsídios Exegéticos para a Liturgia Dominical para 27 de setembro

Ano A

Dia: 27/09/2020

26º  Domingo do Tempo Comum

Evangelho: Mt 21m18-32

Primeira Leitura: Ez 18,25-28

Segunda Leitura: Fl 2,1-11

Salmo:  24,4bc-5.6-7.8-9 (R 6a)

 

Evangelho

Todo o AT tem como meta fazer a vontade de Deus. As leis eram a expressão clara deste desejo. Por isto mesmo, da parte das elites religiosas, não observar as leis era visto como estar longe da vontade de Deus. Assim, quem não estava em dia com as leis, era visto como maldito (Jo 7,49). Os verdadeiros filhos eram os que cumpriam todas as prescrições (Lc 18,9ss). Os pecadores públicos e as prostitutas nem sequer eram vistos como filhos de Deus. E, na opinião das elites religiosas, estariam excluídas do Reino de Deus.

A justiça do Reino, trazida por Jesus entra em conflito com justiça da religião petrificada das autoridades. Para começo de história, nesta parábola exclusiva de Mateus, os dois são filhos do pai, tanto os “bons observantes da Lei”, como também os pecadores que eram considerados malditos. O mesmo apelo é dirigido a ambos. Depende agora da resposta dada por cada um.

Ter como herança toda história de Israel, desde Abrão, Moisés, os profetas pode ser um solene “Sim” verbal a Deus. No entanto, não aceitar o Filho enviado pelo Pai (Mt 3,16s), é dar um solene “Não” na prática, pois a vontade do Pai se realiza no Filho. Ninguém vai ao Pai se não for por Jesus (Jo 14,6). Não se está realizando a vontade do Pai só observando a Lei do AT e rejeitando o seu Filho. Ele é a plenitude da revelação. Fechando-se a Jesus, o plano do Pai não se realiza.

Muitos daqueles que não estavam em dia com a velha Lei, talvez por opção própria, ou até,  por serem ignorantes, ou não terem condições de cumpri-la, ao encontrar Jesus, perceberam nele um apelo do amor de Deus aos pequeninos, coisa que as elites religiosas, empedernidas nas leis, não perceberam. Por isto mesmo, muitos pecadores impuros, em contato com o Filho, sentindo-se amados por Deus, abraçaram a Boa Nova e se comprometeram com ela. No amor de Deus, manifestado em Jesus, encontraram o caminho do Reino.

Este relato ilustra bem a comunidade de Mateus, dos anos 80. Muitas pessoas que não se enquadravam na observância da antiga Lei, como queriam os escribas e fariseus, formavam os fiéis discípulos de Jesus. O próprio Mateus que, como cobrador de impostos era considerado pecador público, em Cristo encontrou seu caminho, deixando para trás um tipo de vida desonesta, comprometendo-se com uma nova realidade. Na comunidade cristã, tinha lugar para todos, desde que se abrissem à graça trazida pelo mestre (cf. Ef 2,11ss).

Entrar no Reino (v.31) não é sinônimo de ir para o céu. Reino é uma realidade que já começa aqui na terra, ou seja, a nova realidade onde as pessoas se comprometem com o amor e a justiça, realidade esta que certamente culmina no céu, mas entrar ou não entrar é algo daqui da terra. Em outras palavras, pecadores públicos e prostitutas, abrindo-se aos apelos de Jesus entenderam a novidade do amor que acolhe a todos, por isto entraram na lógica do Reino, enquanto os autossuficientes observantes do AT, que se fecharam a Jesus, não puderam entrar nesta nova comunidade de verdadeiros irmãos onde se acolhe o próximo no amor e na justiça de Deus. Logo, não é Deus quem impede a estes entrar no Reino, mas a sua cegueira diante do enviado do Pai.

Relacionando com os outros textos

No Exílio da Babilônia, os exilados estão culpando a Deus pelos seus infortúnios. “Nossos pais pecaram e nós pagamos a conta”. O profeta discorda desta visão e mostra que Deus não está punindo os pais nos filhos. Cada um é responsável. Mesmo aqueles que erraram, encontram em Deus a remissão.

Continuando a lógica do Reino refletida no evangelho, pode-se também perceber no profeta que, um dia ter dado um sim a Deus e depois se fechar, não leva a nada. Mas aqueles que que só despertaram mais tarde para o amor de Deus, sempre encontram nele a graça do perdão. Assim aconteceu com Paulo, com Agostinho e como muitos outros. Eles encontraram em Jesus o caminho que conduz ao Pai, mesmo que no passado tivessem feito muito mal.

 

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Me. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Me. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

 

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