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Novo Papa Leão XIV simboliza continuidade do legado de Francisco, afirma Dom José Gislon

por Alice Corrêa

Bispo da Diocese de Caxias do Sul destaca perfil missionário, simplicidade e escolha simbólica do nome como sinais de uma Igreja em saída, acolhedora e fiel ao Evangelho.

Foto: Alice Corrêa/Tua Rádio São Francisco

O bispo da Diocese de Caxias do Sul, Dom José Gislon, destacou nesta semana que a eleição do novo Papa, Leão XIV, representa uma continuidade do legado deixado por Francisco. Em coletiva de imprensa, o religioso afirmou que, embora o novo pontífice traga consigo características próprias, sua trajetória missionária e o simbolismo de seu nome reforçam o compromisso da Igreja com os mais pobres, a inclusão e a evangelização.

“A Igreja viu esse momento com oração, luto e também esperança. A eleição de um novo Papa é sempre sinal de renovação e unidade. E Leão XIV, ao escolher esse nome, nos remete à tradição social da Igreja, como a do Papa Leão XIII, que enfrentou tempos difíceis com coragem e fé”, comentou Dom José, fazendo referência ao pontífice que governou a Igreja de 1878 a 1903 e foi autor da primeira encíclica social, Rerum Novarum.

Leão XIV é o primeiro Papa oriundo dos Estados Unidos e pertence à Ordem de Santo Agostinho. Sua trajetória inclui longos anos de missão no Peru, especialmente na região amazônica, além de liderança como superior geral da ordem e mais recentemente como prefeito do Dicastério para os Bispos. Segundo Dom José, “ele traz na bagagem uma visão internacional e pastoral, com profundo contato com as realidades sociais da América do Sul”.

Apesar de vir de um país de grande influência política global, Dom José reforçou que a missão do Papa está desvinculada de qualquer nacionalismo. “O Papa não é representante de uma nação. Ele é o sucessor de Pedro. Como vimos com Francisco, que nunca voltou à Argentina após eleito, a missão do pontífice é servir à Igreja Universal e ao Evangelho”, pontuou.

A escolha do nome Leão XIV também carrega um peso histórico e simbólico. Para Dom José, trata-se de uma evocação ao espírito de comunhão e de compromisso com os desfavorecidos, tal como o Papa Leão XIII, que atuou durante os tempos turbulentos da Revolução Industrial. “Hoje vivemos uma nova onda de deslocamentos humanos, de sofrimento social. O novo Papa nos remete à necessidade de um olhar da Igreja sobre essas realidades, buscando dignidade e paz para todos os povos”, observou.

Além disso, o bispo destacou que a Igreja continuará firme em sua missão de ser “em saída”, como propôs Francisco: missionária, acolhedora, voltada aos pobres e promotora do cuidado com a Casa Comum. “A escolha de Leão XIV é sinal de que os cardeais quiseram garantir essa continuidade, e não um retrocesso”, afirmou.

Ao concluir, Dom José Gislon destacou a importância da comunhão entre as culturas, ritos e povos dentro da Igreja. “A Igreja é feita de todos nós. A eleição do novo Papa reforça essa diversidade, essa universalidade da missão. Leão XIV será, como Francisco foi, um servidor fiel ao Evangelho, levando a mensagem de Jesus ao coração das pessoas e construindo fraternidade.”

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