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Corpo de lagoense que foi doado para estudos há oito anos é cremado em Caxias do Sul

por Rudimar Galvan

Rubens Candeia era natural de Lagoa Vermelha e havia registrado, 13 anos antes de morrer, o desejo de ter o corpo doado para estudos na área da saúde na Universidade de Caxias do Sul

Chegou ao fim nesta quinta-feira, 27/11, oito anos após a sua morte, a missão de Rubens Candeia, Cidadão Caxiense reconhecido pela Câmara de Vereadores, fundador do CTG Campo dos Bugres e Papai Noel por décadas em Caxias do Sul.

Natural de Lagoa Vermelha, o tradicionalista havia registrado, 13 anos antes de morrer aos 95 anos por insuficiência respiratória, o desejo de ter o corpo doado para estudos na área da saúde na Universidade de Caxias do Sul (UCS).

Estudado pelos últimos oito anos por alunos da Educação Física, Medicina, Enfermagem, Fisioterapia e Odontologia, o corpo foi cremado nesta semana e as cinzas, em uma atitude inédita da UCS, foram entregues à família após cerimônia no Crematório São José, nesta quinta-feira, 27/11.

Conduzida pelo frei Jaime Bettega, a despedida de Candeia foi tratada como a oficial pelos nove familiares presentes e com rosas distribuídas em cima da urna ao som de Gritos de Liberdade e Ô de Casa.

Há oito anos, quando morreu, o velório lotado foi realizado às pressas para que o desejo de ter o corpo preservado em laboratório fosse cumprido. Uma parte das cinzas de Candeia será deixada em um jardim da UCS e o restante na capela da família no Cemitério Municipal.

A entrega das cinzas para a família é inédita na UCS e de acordo com a responsável técnica pelos laboratórios de ensino, a professora Cristiane Boff Trevisol, não faz parte do protocolo.

— Era um acordo que tínhamos com a filha que, quando fosse cremado, as cinzas seriam devolvidas para serem colocadas junto com as da mãe. Essa doação foi feita de forma exclusiva, não é algo comum por norma institucional, fizemos o aceite por ele ser uma pessoa pública — explica Cristiane. 

Corpos em laboratório são utilizados por até 10 anos

Corpos como o de Candeia são conservados em uma solução de formol e glicerina injetados nos músculos e artérias.

O produto químico faz com o que sangue se espalhe, condense e não gere odores. Ao longo do tempo e quanto mais os alunos se aprofundam nas estruturas do corpo humano, o objeto de estudo acaba se deteriorando e precisa, então, ser “aposentado” na forma da cremação.

*O Pioneiro 

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