Caminhada em homenagem a São Jorge e Ogum será realizada neste sábado em Marau
Baixar ÁudioEvento organizado pela ACAIIO destaca sincretismo religioso e convida a comunidade para manifestação pública de fé
A Associação Cultural Afro-Umbandista Ilê Iansã e Oxalá - Acaiio, de Marau, promove neste sábado, 25/04, a segunda edição da Caminhada de São Jorge, atividade religiosa aberta à comunidade e ligada às tradições de matriz africana e à devoção popular ao santo guerreiro, celebrado nesta quinta-feira, 23/04. A programação terá início às 7h30, com saída da casa religiosa, localizada no Bairro Angelina Rodighieri, seguindo até a Praça Dr. Elpídio Fialho, onde será realizado um ato simbólico.
Em entrevista à Tua Rádio Alvorada, Pai Ezequiel de Oyá explicou que a celebração também representa o encontro entre diferentes expressões de fé. Segundo ele, a figura de São Jorge está associada ao orixá Ogum dentro do sincretismo religioso construído ao longo da história no Brasil. “Na nossa tradição, São Jorge é sincretizado com Ogum. Esse processo nasceu ainda no período da escravidão, quando os negros encontraram formas de manter viva a sua religiosidade. Hoje, mais do que discutir nomes, o que une as pessoas é a fé”, afirmou.
Nas religiões de matriz africana, Ogum é reconhecido como o orixá ligado à força, à proteção e ao desenvolvimento da vida em comunidade, sendo também associado simbolicamente às ferramentas, à tecnologia e à organização social. Na devoção popular católica, São Jorge é considerado padroeiro de diversas categorias, entre elas soldados, escoteiros e profissionais ligados à segurança. “É uma caminhada aberta a toda a comunidade. Não precisa ser da religião. Basta ter fé e vontade de participar desse momento de união”, destacou Pai Ezequiel.
Além da caminhada, a programação prevê atividades religiosas no período da tarde, na sede da associação. Segundo Ezequiel, a iniciativa também busca ampliar o diálogo e o respeito às diferentes manifestações de fé presentes no mundo, bem como na sociedade marauense. “É um momento em que mostramos que queremos somar, não dividir. A religiosidade é uma forma de expressar aquilo em que acreditamos e compartilhar isso com a comunidade”, afirmou.
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