Relatório de CPI em Fagundes Varela aponta possíveis irregularidades em pagamento de diária de vereador
Documento aprovado pela Comissão Parlamentar de Inquérito será encaminhado ao Ministério Público do RS
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Câmara Municipal de Vereadores de Fagundes Varela aprovou nesta semana, de forma unânime, o relatório final que apura a concessão e utilização de uma diária paga ao vereador Diego Russi para deslocamento até Porto Alegre, em dezembro de 2025.
As informações constam no documento oficial produzido pela comissão, instaurada após requerimento aprovado pelo plenário da Câmara em fevereiro deste ano. O relatório reúne documentos, diligências e depoimentos colhidos ao longo da investigação parlamentar.
Segundo o relatório, o vereador solicitou uma diária no valor de R$ 221,45 para viagem à capital gaúcha no dia 17 de dezembro de 2025. Conforme o formulário de solicitação anexado ao processo, a finalidade informada era a participação em reuniões com deputados na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.
Durante os trabalhos da CPI, a comissão afirma ter solicitado informações à Assembleia Legislativa, que respondeu não há registro de ingresso do vereador em suas dependências naquele dia. Mas ressaltou que existem outros acessos ao prédio da Assembleia nos quais não há registro eletrônico de entrada.
O relatório também menciona depoimentos prestados por testemunhas ouvidas pela comissão. Entre os relatos, consta a confirmação de que o vereador esteve em Porto Alegre acompanhado de outras pessoas e que o grupo enfrentou problemas mecânicos durante a viagem. As testemunhas, conforme descrito no documento, afirmaram não ter conhecimento sobre eventual agenda oficial do vereador junto à Assembleia Legislativa naquele dia.
A defesa de Diego Russi sustentou, nos autos, que o deslocamento ocorreu e que a pane mecânica teria dificultado o cumprimento da agenda inicialmente prevista. Também argumentou que atividades parlamentares podem ocorrer fora de ambientes institucionais formais.
No relatório final, entretanto, a comissão concluiu que houve irregularidade na utilização da diária e recomendou o encaminhamento do caso para abertura de processo ético-disciplinar no Legislativo municipal, além do envio da documentação ao Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul para análise das possíveis implicações legais.
A CPI foi presidida pelo vereador Volnei Cattivelli, tendo como relatora a vereadora Rafaela Benetti Molossi e secretária a vereadora Marilene Ruy Cortellini.
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