Indústria metalmecânica sente retração e acende alerta para a economia em Veranópolis
Cenário de menor demanda impacta operação e leva ajustes no ritmo de produção em empresa veranense
O cenário econômico começa a dar sinais de desaceleração em Veranópolis, com reflexos diretos na indústria local. A avaliação é do empresário Dirceu Tedesco, administrador da Metalúrgica Golden Arts (MGA), que relata queda na produção e necessidade de ajustes internos diante da redução de pedidos.
“O mercado hoje se mostra recessivo”, afirma. Segundo ele, a previsão inicial era de desaceleração apenas no segundo semestre, mas, ainda no fim do ano passado, a empresa já passou a registrar diminuição na demanda. Atualmente, a produção da MGA apresenta redução de cerca de 20%.
A queda impacta diretamente a operação industrial. Para equilibrar estoques elevados e adequar a produção ao novo ritmo de mercado, a empresa iniciou a redução de turnos em algumas unidades, com cortes de até 50% na produção em determinados setores. A medida inclui a suspensão temporária de jornadas e reorganização interna, como antecipação de férias.
Apesar do cenário, a empresa afirma que, no momento, busca evitar demissões. A estratégia é manter o quadro de cerca de 550 funcionários, ao menos nos próximos meses, diante da dificuldade já existente na contratação de mão de obra na região.
“A ideia não é demitir ninguém, pelo menos nos próximos 90 dias”, destaca. A estratégia tem sido reorganizar a operação, incluindo a compensação de férias, para equilibrar produção e demanda.
Concorrência externa e custos pressionam setor
Entre os fatores apontados para a retração está o aumento da concorrência internacional, especialmente de produtos vindos da China, que competem com preços mais baixos. O impacto é mais evidente em itens considerados commodities dentro do setor metalmecânico.
Além disso, o empresário destaca o aumento dos custos de produção. Insumos registram alta entre 10% e 15%, enquanto despesas com mão de obra também cresceram. A carga tributária e as taxas de juros elevadas são citadas como elementos que pressionam ainda mais a competitividade da indústria nacional.
Outro ponto levantado é a mudança no perfil de compras de grandes empresas do setor de energia, que passaram a priorizar fornecedores internacionais com base no menor custo, reduzindo a participação da indústria brasileira nesses contratos.
A desaceleração não atinge apenas um segmento específico. De acordo com Tedesco, diferentes áreas atendidas pela empresa já começam a registrar redução de pedidos, indicando um movimento mais amplo de retração econômica.
Mesmo setores que ainda apresentam desempenho positivo, como o de gás, não são suficientes para compensar a queda geral. Diante disso, investimentos previstos para 2026 foram suspensos como medida de cautela.
Incertezas e expectativa
O cenário, segundo o empresário, ainda é de incerteza. A manutenção do nível atual de atividade ao longo dos próximos meses pode gerar impactos mais profundos, inclusive sobre empregos e renda.
A expectativa do setor é de que haja uma retomada gradual, mas o ritmo dependerá de fatores como comportamento do mercado, custos de produção e ambiente econômico mais amplo.
Enquanto isso, empresas locais seguem adotando medidas para atravessar o período de retração, buscando preservar empregos e manter a operação diante de um cenário considerado desafiador para a indústria.
Comentários