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Polícia Civil deflagra operação haridade contra organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas

por Julia Rodrigues

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou na manhã desta quinta-feira a Operação Haridade

Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou na manhã desta quinta-feira a Operação Haridade, coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de Vacaria. A ação mobilizou cerca de 60 agentes, entre policiais civis da 25ª Região Policial, efetivos da Delegacia de Lagoa Vermelha e integrantes da Força Tática do 10º Batalhão de Polícia Militar, além de 20 viaturas.

As investigações tiveram início em outubro do ano passado e apontam a atuação de uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas com atuação em nível nacional. Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em diversos endereços, além do sequestro de um veículo de luxo e de um imóvel. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 8 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados.

De acordo com a investigação, o grupo criminoso atuava há pelo menos três anos e era liderado por um hacker profissional. Os demais integrantes desempenhavam funções específicas dentro da estrutura da organização, auxiliando na execução das fraudes e na movimentação dos recursos obtidos ilegalmente.

Entre os principais golpes identificados está a criação de limites fictícios em contas bancárias para burlar sistemas financeiros e retirar valores indevidamente. O grupo também utilizava recursos oriundos das fraudes para quitar boletos bancários, cobrando dos beneficiários apenas parte do valor dos títulos.

As investigações revelaram ainda que a organização adquiria dados de cartões de crédito em grupos de fraudadores na internet. Com essas informações, realizava compras de produtos de alto valor, como smartphones e artigos de luxo, que posteriormente eram revendidos. Os integrantes também utilizavam cartões clonados para custear hospedagens em hotéis e resorts de alto padrão, além da compra de passagens aéreas e pacotes de viagens, revendidos por valores muito abaixo do mercado.

Segundo a Polícia Civil, o dinheiro obtido por meio das fraudes era rapidamente distribuído para contas de terceiros, sacado em espécie, investido ou convertido em moedas estrangeiras e criptomoedas, dificultando o rastreamento dos recursos.

O valor de R$ 8 milhões bloqueado judicialmente representa a movimentação financeira identificada nos últimos dois anos e não necessariamente o lucro obtido pela organização criminosa.

As investigações também apontam envolvimento do principal suspeito com o tráfico de drogas e o comércio ilegal de armas de fogo. Conforme a polícia, ele ostentava armamentos de uso restrito, incluindo fuzis e pistolas com seletor de rajada, além de oferecer armas para venda. O investigado, de 26 anos, possui antecedentes por tráfico de drogas, associação para o tráfico, disparo de arma de fogo em via pública, furto qualificado, resistência, desobediência, desacato, violência doméstica e descumprimento de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

A polícia apurou ainda que familiares do líder atuavam em funções de apoio, auxiliando na movimentação de valores, fornecimento de dados, gerenciamento de contas bancárias, ocultação de bens e recrutamento de pessoas para obtenção de informações utilizadas nas fraudes.

Durante a investigação, foram identificadas conexões com grupos criminosos de diversos estados brasileiros. Segundo os investigadores, esses grupos atuam em diferentes etapas das fraudes, desde a obtenção e comercialização de dados vazados até a invasão de contas bancárias e a conversão dos valores em dinheiro.

A Operação Haridade também encontrou referências a indivíduos já presos em outros estados por envolvimento em crimes semelhantes. Entre eles está uma liderança criminosa presa em São Paulo em 2025, suspeita de comercializar cursos online ensinando técnicas utilizadas em golpes eletrônicos.

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