Denúncias de maus-tratos a animais quase triplicam em Caxias do Sul; 10 tutores foram presos em flagrante neste ano
Departamento de Proteção Animal recebeu mais de 1,6 mil denúncias no primeiro semestre e realizou 354 resgates. Enquanto amplia o combate aos maus-tratos, município avança na construção do novo Centro Municipal de Proteção Animal
O número de denúncias de maus-tratos contra animais em Caxias do Sul cresceu significativamente no primeiro semestre de 2026. Dados do Departamento de Proteção Animal (DPA) apontam que 1.609 denúncias foram registradas entre janeiro e junho, quase três vezes mais do que no mesmo período do ano passado, quando cerca de 560 casos chegaram ao órgão.
O aumento é atribuído, em grande parte, à maior visibilidade do trabalho do DPA nas redes sociais. O departamento ganhou projeção nacional com publicações criativas dos cães disponíveis para adoção, muitas delas mostrando os animais fantasiados, estratégia que ajudou a ampliar o alcance das campanhas e aproximar a população do serviço.
Do total de denúncias recebidas neste ano, aproximadamente 70% foram atendidas pelas equipes, que realizaram 354 resgates de animais, 33 apreensões, 10 prisões em flagrante de tutores e aplicaram 40 multas por irregularidades relacionadas aos maus-tratos.
Apesar do aumento das ocorrências, a coordenadora do Departamento de Proteção Animal, Elisa Zanolla, explica que nem todas as denúncias acabam sendo confirmadas.
Segundo ela, muitas situações são motivadas por conflitos entre vizinhos, mas todas recebem atendimento e passam por verificação.
"A nossa maior demanda continua sendo de maus-tratos. Muitas denúncias acabam sendo improcedentes, muitas vezes são brigas de vizinhos. Mesmo assim, a equipe vai até o local, averigua a situação, conversa com as pessoas e elabora um relatório para dar retorno ao denunciante. Também conseguimos prender várias pessoas neste semestre por maus-tratos. Recebemos quase o triplo de denúncias em relação ao ano passado e temos muito orgulho do crescimento do setor", afirmou.
Adoções ajudam, mas canil ainda abriga centenas de animais
Além do trabalho de fiscalização, o Departamento de Proteção Animal também atua na recuperação e adoção de animais resgatados.
Nos primeiros seis meses do ano, 162 cães e gatos encontraram um novo lar. No mesmo período, 23 animais retornaram aos antigos tutores, 28 voltaram às comunidades onde viviam, 32 morreram durante o tratamento ou recuperação e 21 seguem em processo de adestramento para corrigir comportamentos que dificultam a adoção.
Atualmente, 392 animais permanecem no canil municipal aguardando uma família, enquanto outro está em lar temporário.
Segundo Elisa Zanolla, mesmo com o número expressivo de adoções, novos resgates chegam praticamente todos os dias.
"Nós conseguimos doar quase um canil inteiro e, mesmo assim, mantemos praticamente a mesma quantidade de animais esperando adoção. Hoje temos 21 cães em adestramento porque apresentam comportamentos que exigem um acompanhamento antes de serem encaminhados para uma família", explicou.
Mais de 2,8 mil castrações realizadas
Outra frente de atuação é o controle populacional de cães e gatos.
Em parceria com o Hospital Veterinário da Universidade de Caxias do Sul (UCS), foram realizadas 2.818 castrações gratuitas no primeiro semestre deste ano. O serviço atende principalmente animais em situação de rua e pertencentes a famílias em condição de vulnerabilidade social.
A iniciativa busca reduzir o abandono, controlar a reprodução desordenada e diminuir o número de animais que acabam sendo recolhidos pelo município.
Responsabilidade dos tutores é fundamental
A coordenadora do DPA reforça que o combate aos maus-tratos depende também da conscientização da população.
Segundo ela, oferecer alimentação, água, abrigo contra frio, chuva e calor, além de atendimento veterinário quando necessário, são cuidados básicos que todo tutor deve garantir.
Ela destaca que o departamento já resgatou diferentes espécies de animais vítimas de negligência, como cães, gatos, cavalos, aves, suínos e bovinos, e ressalta que muitas ocorrências poderiam ser evitadas com a posse responsável.
"A população também precisa fazer a sua parte. Quem decide ter um animal assume a responsabilidade de oferecer condições mínimas para que ele tenha uma vida digna. Não estamos falando de luxo, mas de alimentação, abrigo, água, atendimento veterinário quando necessário e proteção contra o frio e o calor. Se cada tutor cuidasse adequadamente do seu animal, o número de denúncias seria muito menor", afirmou.
Novo centro terá capacidade para 500 animais
Enquanto amplia as ações de fiscalização e proteção, o município também avança na construção do novo Centro Municipal de Proteção Animal, uma demanda antiga das equipes do DPA e das entidades ligadas à causa animal.
A estrutura está sendo construída em uma área de 5,3 hectares, na região de São Giácomo, e as obras seguem dentro do cronograma previsto.
Com investimento de aproximadamente R$ 8 milhões, financiado por meio do Badesul Desenvolvimento, o novo espaço terá capacidade para receber 440 cães, 60 gatos e quatro animais de grande porte.
O projeto prevê uma estrutura mais ampla e moderna, com prédio administrativo, ambulatório veterinário, canis individuais e coletivos, espaços destinados a mães com filhotes, animais idosos e casos que exigem isolamento, além de gatis e baias para equinos.
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