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Veranópolis: produção de uva 2026 deve superar safra passada apesar de impactos climáticos

por Alessandra Bernardi

A microrregião apresenta atraso no calendário de colheita, mas mantém projeções positivas de produção, mesmo diante dos prejuízos registrados com quedas de parreirais nas últimas semanas

Foto: Divulgação

A safra da uva 2026 em Veranópolis e municípios da microrregião apresenta atraso no calendário de colheita, mas mantém projeções positivas de produção, mesmo diante dos prejuízos registrados com quedas de parreirais nas últimas semanas. Eventos climáticos intensos, como ventos fortes associados a chuvas frequentes e ao solo encharcado, têm impactado áreas de cultivo e reforçado a necessidade de maior atenção às estruturas de sustentação.

Segundo o técnico agrícola e extensionista da Emater de Veranópolis, Douglas Corso, as perdas variam de acordo com o estágio da cultura e a intensidade do fenômeno climático. “Cada caso é um caso. Vai depender muito da fase em que a videira se encontra e da forma como o vento e a chuva atuaram sobre a estrutura”, explicou.

Ocorrências foram registradas em municípios como Bento Gonçalves, Cotiporã e Fagundes Varela. Em Veranópolis, duas áreas foram atingidas. Em muitos casos, a recuperação exige mutirões e grande esforço coletivo, mas os parreirais dificilmente retornam às condições originais. “A gente consegue levantar a estrutura, mas ela não volta a ser o que era antes. As plantas ficam tortas, mais baixas, e isso traz dificuldades para a colheita, a poda e os tratamentos”, afirmou Douglas.

O técnico destaca que a combinação de fatores como excesso de umidade no solo, peso da produção e água acumulada na folhagem aumenta significativamente o risco de queda. “Quando esses elementos se somam ao vento, a estrutura acaba cedendo e a queda costuma acontecer em sequência”, alertou.

De acordo com a Emater, a maioria dos parreirais atingidos é mais antiga, o que contribui para o problema. O desgaste natural de fios e cordoalhas ao longo dos anos reduz a resistência das estruturas. “Assim como qualquer equipamento, o parreiral também precisa de manutenção. A revisão e o reforço das escoras são práticas fundamentais para reduzir os riscos”, orientou Douglas Corso.

Mesmo com os prejuízos registrados, a expectativa para a safra 2026 é positiva. A colheita apresenta atraso de cerca de 10 dias em relação a anos considerados normais, principalmente em função das temperaturas noturnas mais baixas e do excesso de chuvas na primavera, que reduziram a insolação. Segundo o técnico agrícola, a produção deve ficar dentro da média e até um pouco acima. “Em Veranópolis, projetamos pelo menos 10% a mais do que a safra passada”, afirmou. As primeiras variedades colhidas, especialmente as mais precoces em áreas de microclima mais quente, já apresentam boa qualidade.

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