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Gasolina passa a ter 32% de etanol; mudança já está em vigor e exige atenção de proprietários de veículos somente a gasolina

Baixar Áudio por Alessandra Bernardi

Segundo o Governo Federal, o aumento da mistura tem como objetivo ampliar a participação de combustíveis renováveis na matriz energética brasileira, reduzir a dependência da importação de gasolina e fortalecer a segurança energética do país

Foto: José Cruz | Agência Brasil

Desde o dia 1º de agosto, a gasolina comercializada em todo o Brasil passou a contar com uma nova composição. O percentual obrigatório de etanol misturado ao combustível subiu de 30% para 32%, conforme resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), publicada no Diário Oficial da União. A medida, prevista na Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período.

Segundo o Governo Federal, o aumento da mistura tem como objetivo ampliar a participação de combustíveis renováveis na matriz energética brasileira, reduzir a dependência da importação de gasolina e fortalecer a segurança energética do país.

A decisão foi embasada em estudos conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), que avaliou o desempenho da gasolina E32 em veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina. Os ensaios analisaram aspectos como partida a frio e a quente, marcha lenta, aceleração, retomada de velocidade, dirigibilidade e adaptação dos sistemas eletrônicos dos motores. De acordo com os resultados, não foram identificados impactos relevantes no desempenho dos veículos nem alterações significativas na dirigibilidade.

Os testes também demonstraram que a nova mistura atende aos limites de emissões estabelecidos pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). Além disso, uma avaliação técnica da empresa internacional AVL List GmbH concluiu que não são esperados impactos relevantes nos sistemas de combustível da frota brasileira com a adoção da gasolina E32.
 

Veículos flex tendem a sentir menos os efeitos

Apesar das conclusões dos estudos, a mudança ainda desperta dúvidas entre motoristas, principalmente os proprietários de veículos exclusivamente a gasolina.

Para o gerente de pós-vendas da Concessionária Volkswagen - Verauto de Veranópolis, Eduardo Bissani, explica que os primeiros meses servirão para acompanhar o comportamento dos veículos diante da nova composição do combustível.

"A gente vai começar a entender melhor e observar como os veículos vão se comportar. Hoje, a maior parte da nossa linha é flex, sendo que temos apenas dois modelos exclusivamente a gasolina", afirma.

Segundo ele, os veículos flex devem ser os menos afetados pela mudança, pois já são projetados para operar com diferentes proporções de etanol e gasolina.

"O sistema eletrônico desses veículos faz essa leitura automaticamente. O motorista pode perceber alguma pequena diferença no consumo ou até na potência, mas, em princípio, eles já estão preparados para esse tipo de combustível", explica.

A preocupação maior, segundo Bissani, está nos veículos importados e nos modelos mais antigos movidos apenas a gasolina.

"Muito provavelmente haverá necessidade de atualização de software em alguns motores importados, porque são projetos desenvolvidos para mercados onde a gasolina possui uma composição diferente da brasileira. Essa atualização permitirá que o motor reconheça a nova mistura e mantenha o funcionamento adequado."

Já nos veículos antigos, ainda não é possível prever exatamente os impactos.

"Pode ser que apresentem algum reflexo ou até que não aconteça nada. Mas, pelo conhecimento técnico e pela experiência do dia a dia, existe essa possibilidade e vamos acompanhar o comportamento desses veículos."

O gerente destaca que, caso ocorram alterações, componentes do sistema de alimentação poderão ser os primeiros a apresentar desgaste ou necessidade de manutenção, como bomba de combustível, bicos injetores e velas de ignição.

"Em um dos casos, foi necessário realizar a limpeza completa do sistema de combustível e passar a utilizar gasolina premium, que possui maior octanagem e menor percentual de etanol."

Embora a situação tenha sido pontual, o especialista ressalta que os próximos meses serão importantes para avaliar o comportamento da frota brasileira diante da nova composição da gasolina.

Com a chegada dos novos carregamentos aos postos de combustíveis, a gasolina E32 já está sendo comercializada em todo o país. A recomendação é que os motoristas observem o desempenho do veículo após os abastecimentos e, caso percebam falhas, aumento de consumo ou alterações no funcionamento do motor, procurem uma oficina ou concessionária de confiança para avaliação.

Ouça acima a  entrevista com o gerente de pós-vendas da Concessionária Volkswagen - Verauto de Veranópolis, Eduardo Bissani.

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