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Jornada de Mãe – De tímida a voz do rádio: a virada de Raiane Martininghi na comunicação e na maternidade

por Alice Corrêa

Comunicadora da Rede Maisnova, Raiane Martininghi encontrou no rádio um caminho inesperado de realização pessoal e profissional — e na maternidade, o sentido maior de sua jornada.

Foto: Arquivo pessoal

Quando Raiane Martininghi, hoje com 30 anos, olha para trás, ela mal acredita onde chegou. A jovem tímida, que jamais se imaginou falando em público, encontrou no jornalismo e no rádio um palco para se reinventar — e na maternidade, uma razão ainda mais profunda para seguir em frente. "Eu nunca pensei em trabalhar com comunicação, muito menos ser mãe. Mas as duas coisas mudaram a minha vida de formas que eu nunca imaginei", conta.

Raiane começou a se aproximar da comunicação enquanto trabalhava com a mãe em lojas de varejo. Foi ali, entre atendimentos e conversas, que percebeu o prazer de interagir com as pessoas. Com 19 anos, resolveu tentar o vestibular para jornalismo. No começo, dividia os estudos com empregos variados — de lavadora de pets a vendedora de telefonia. “Fui conquistando meu espaço aos poucos. Fiz estágio na prefeitura, trabalhei na Câmara de Vereadores e só depois me joguei no rádio.”

Mas entrar no rádio foi um salto de fé. “Eu odiava minha voz. Não me via de jeito nenhum atrás de um microfone.” O primeiro programa veio por acaso, quando um colega de emissora precisou se afastar. A chefe confiou nela. “Eu tremia, mas fui. E ali eu entendi: era isso que eu queria.” Desde então, o rádio virou parte da sua essência. “Não tenho tantos anos de estrada, mas o rádio é meu. E vai seguir comigo por muito tempo.”

Hoje, além da paixão pela comunicação, Raiane é mãe da pequena Rafaela, de quem fala com os olhos marejados. “Ela tem muito orgulho de me ouvir no rádio. Diz: ‘A mamãe tá no rádio!’ Isso é tudo pra mim.”

A maternidade, no entanto, chegou sem aviso. “Eu nunca quis ser mãe. Nunca me imaginei casada, muito menos cuidando de uma criança.” Um mês após se formar, veio o positivo. E com ele, um turbilhão. “Foi difícil aceitar a gestação. Eu não me reconhecia no meu corpo. Mas quando a Rafa nasceu, tudo mudou. Foi como virar uma chave.”

Os desafios não pararam. Rafa enfrentou doenças sérias, como bronquiolite e Covid, o que exigiu internações e afastamento do trabalho. “Tinha dias em que ela dizia: ‘Mamãe, não vai trabalhar, fica comigo’. Isso me quebrava por dentro.”

Raiane reconhece que só consegue conciliar tudo graças à base familiar. “Meu marido é meu porto. Ele que leva, busca, dá banho, faz a janta. Sem ele, eu teria que abrir mão da carreira.” E ainda planeja ir além: quer fazer uma nova pós-graduação. “Quero explorar novas possibilidades, mas sempre dentro da comunicação. Fora disso, não me imagino.”

A história de Raiane é, acima de tudo, sobre transformação. De uma jovem retraída à comunicadora admirada; de alguém que temia a maternidade à mãe que diz com firmeza: “Bato e morro pela minha filha. Se um dia tiver que largar tudo por ela, eu largo. Porque a prioridade é, e sempre será, ela.”

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