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Jornada de Mãe - Suzana, da central ao volante: a motorista que venceu desafios e fez do ônibus sua estrada de vida

por Alice Corrêa

Após passar de operadora de sistema para motorista, Suzana Aliardi viu na Visate a chance de crescer. Hoje, 16 anos depois, ela se orgulha da profissão que conquistou para dar um futuro melhor ao filho.

Foto: Alice Corrêa-Tua Rádio São Francisco/Arquivo Pessoal

Tudo começou com um boato. Suzana, aos 32 anos, havia recém-ingressado na Visate como operadora de sistema quando ouviu falar que o cargo poderia ser extinto. Um colega sugeriu que ela aproveitasse a “escolinha” oferecida pela empresa — uma formação interna que habilita operadores a se tornarem motoristas. A ideia ficou martelando na cabeça até se transformar em ação.

Mas o caminho não foi fácil. Prestes a completar um ano de empresa, Suzana sofreu um acidente e ficou sete meses afastada. A vontade de mudar de função quase se perdeu, até que, de volta ao trabalho, ela viu colegas se formando na última turma da escolinha e decidiu tentar. “Eu só tinha carteira de carro e moto. Fiz a de ônibus, entrei na escolinha e fui até o fim”, lembra.

Antes de assumir o volante de um coletivo, o maior veículo que Suzana havia dirigido era uma Kombi. Hoje, acumula 16 anos de experiência como motorista e há cinco também dirige ônibus articulados. “Adoro o que eu faço. Me sinto realizada”, afirma, com brilho nos olhos.

Natural de Osório, mas moradora de Caxias do Sul há quase 40 anos, Suzana, hoje com 48 anos, encontrou na profissão uma maneira de prover o sustento do filho, criado por ela sozinha desde os oito meses de idade. “Tudo o que conquistei foi pensando nele. Ser motorista melhorou a minha vida e a dele.”

Ser mãe solo, aliás, moldou sua trajetória. “Tive que me virar nos 30. Quando entrei na Visate, meu filho tinha quatro anos. O salário de motorista fez toda a diferença.” Hoje, com o filho prestes a completar 23 anos, ela vê com orgulho o caminho percorrido.

O trabalho, cheio de riscos, exige foco e força emocional. Para lidar com isso, Suzana tem uma filosofia simples: “Quanto mais a gente pensa no que pode dar errado, mais atrai. Eu sento no banco e foco no trânsito.”

Embora já tenha sonhado em trabalhar com turismo, dirigindo ônibus de viagem, Suzana diz que está feliz onde está. “Já pensei, mas hoje não sei se iria. A princípio, tô bem.”

E esse “bem” carrega muito mais do que um emprego estável: carrega a história de uma mulher que acelerou contra as dificuldades e dirigiu o próprio destino.

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