Jornada de Mãe: Conheça a história de seis mulheres surpreendentes que se desdobram entre profissão e maternidade
A primeira personagem é jornalista e mãe solo. Letícia Rossetti encontrou seus filhos em uma casa de acolhimento e, após anos de espera e fé, vive hoje uma história real de maternidade guiada pelo coração e pela coragem.
Nessa semana do Dia das Mães, a Tua Rádio São Francisco e Rede Maisnova apresentam histórias inspiradoras e emocionantes de seis mulheres que se desdobram diariamente como profissionais e mães. O projeto Jornada de Mãe é uma série que retrata histórias reais de maternidade em suas múltiplas formas. Hoje a história é da jornalista Letícia Rossetti, mãe de Kézia e Kelvin, que encontrou na adoção uma forma de amar incondicionalmente.
Letícia sempre soube que queria ser mãe. Mas não sabia que encontraria seus filhos em uma casa de acolhimento, durante uma visita despretensiosa, que mudaria sua vida para sempre. Ela não planejou adotar, mas acolheu com o coração a chance de construir uma família – por amor e por escolha.
- Eu sempre quis ser mãe. Eu pensava nisso desde cedo, até imaginava que seria mãe de um casal. Mas a adoção nunca tinha passado pela minha cabeça… até acontecer. Foi numa visita informal, e ali estavam eles. Minha filha me olhou e disse: ‘Mamãe’. Me pediu colo. O meu filho me olhou com um brilho nos olhos que eu nunca esqueci.
Aquela conexão foi instantânea, visceral. Letícia começou a passar os fins de semana com as crianças. Os laços foram se formando rapidamente, e o que começou como apadrinhamento virou vínculo afetivo profundo. Mas, por questões judiciais, os pequenos precisaram voltar à cidade de origem. Foi nesse momento, diante da separação, que Letícia entendeu que queria mais do que visitas. Ela queria ser mãe deles – de verdade, no papel e na vida.
- O mais desafiador foi quando eu percebi que não ia mais ter contato com eles, mas tinha algo dentro de mim que dizia que eu tinha que continuar. E fui atrás, mesmo sem saber como.
Foram quatro anos de espera, dúvidas, idas e vindas, até o reencontro definitivo. E, quando a decisão judicial finalmente saiu, Letícia já havia preparado tudo: casa, escola, rotina. “Mãe tem que ser. Já comecei a ser mãe antes deles chegarem.”
A história de Letícia não é só sobre maternidade. É também sobre trajetória, profissão e fé. Jornalista por formação, sempre foi apaixonada pela comunicação, passou por diversas emissoras e hoje atua com relacionamento interpessoal, sem perder o vínculo com a sua vocação. - A comunicação sempre foi minha paixão. Hoje, mesmo fora da TV, continuo perto dela, porque meu trabalho ainda é sobre pessoas e histórias.
Ser mãe solo transformou também sua carreira e seus valores. Letícia reorganizou tudo – da rotina às prioridades. Karatê com a filha, futebol com o filho, dança, cultura, e muita atenção ao desenvolvimento emocional e escolar dos dois. Tudo feito com presença, afeto e estratégia.
- Eu fiz meu mestrado em educação por causa deles. Estudei sobre pedagogias de acolhimento para crianças adotivas. Era um jeito de entender mais, de acolher melhor.
A rede de apoio foi essencial. No início, a decisão pela adoção causou surpresa entre familiares e amigos. Mas, com o tempo, todos abraçaram a escolha. Hoje, os avós são presença constante, e a família está mais unida do que nunca.
- No começo foi um susto. Uma mãe solo, com duas crianças… Mas nada me fazia desistir. E hoje, eles são uns amores. Está tudo excelente.
Para Letícia, adoção não é sobre ausência – é sobre completude. - A adoção nada mais é do que mais uma forma de parentalidade. Não existe biologia para o amor.
Seus filhos chegaram com 6 e 9 anos, trazendo vida nova, propósito e uma fé renovada. “Minha filha vinha nos meus sonhos e dizia: ‘Mãe, espera por nós. A gente está chegando’. E eles chegaram. Para ficar.
Comentários