Pesquisa nacional mostra que três em cada quatro professores trabalham fora da jornada contratada
Baixar ÁudioO estudo também mostrou que 71,3% perceberam aumento nas responsabilidades profissionais nos últimos anos e 68,9% têm dificuldade de se desligar mentalmente do trabalho
Levantamento realizado pelo Instituto Casagrande Social com 7.246 docentes de todo o Brasil revelou que 76,5% dos professores trabalham regularmente além do horário previsto em contrato. O estudo também mostrou que 71,3% perceberam aumento nas responsabilidades profissionais nos últimos anos e 68,9% têm dificuldade de se desligar mentalmente do trabalho. Para Renato Casagrande, presidente do instituto, a sociedade enxerga o professor durante a aula, mas não vê tudo o que é feito antes e depois dela, formando uma jornada invisível que tem ultrapassado os limites formais da profissão.
O trabalho que se estende para fora da escola inclui planejamento de aulas, correção de atividades, atendimento às famílias, registros e acompanhamento dos estudantes. Além disso, novas demandas relacionadas à inclusão, saúde emocional, uso de tecnologia e resolução de conflitos passaram a fazer parte do dia a dia, sem que houvesse correspondente reorganização da jornada. A dificuldade de desligar mentalmente mostra que o impacto não é apenas na quantidade de horas, mas também na qualidade de vida, com risco de adoecimento quando a sobrecarga se torna permanente.
O Instituto Casagrande Social defende que a solução não pode recair apenas sobre o professor, mas envolve instituições e poder público. Entre as medidas propostas estão a garantia de tempo protegido para planejamento, limites claros para solicitações fora do expediente, redução da burocracia, fortalecimento de equipes de apoio e uso de tecnologia para simplificar tarefas repetitivas. Segundo Renato Casagrande, valorizar a profissão significa também criar condições para que o trabalho seja realizado dentro de uma jornada organizada, com estrutura e suporte adequados, e não apenas com salário e carreira
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