Governo do RS detalha pacote de investimentos em Caxias do Sul e destaca avanços na saúde, educação e segurança
Vice-governador Gabriel Souza apresentou, na RA CIC desta segunda (30), ações e investimentos do Estado para enfrentar os principais desafios da Serra Gaúcha
Durante apresentação na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) Caxias do Sul, o vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, detalhou um conjunto expressivo de investimentos públicos voltados à saúde, educação, segurança pública e infraestrutura. Os recursos fazem parte de um esforço do Estado para reverter décadas de escassez de investimentos e melhorar a qualidade de vida da população.
Na área da saúde, os destaques ficam por conta da destinação de R$ 8,4 milhões ao Hospital Virvi Ramos, contemplando a reforma da Unidade de Internação Obstétrica, UTI Neonatal e Centro Obstétrico com melhorias na parte estrutural e técnica. O Hospital Geral de Caxias receberá R$ 5 milhões em equipamentos, além de R$ 13 milhões para reforma e ampliação dos prédios e R$ 9,6 milhões para diagnóstico por imagem e novo centro obstétrico.
Souza ressaltou que até pouco tempo atrás o Estado parcelava salários e acumulava atrasos com prefeituras e fornecedores. Desde 2020, o pagamento está em dia, e os investimentos vêm sendo retomados de forma consistente. “Quem cuida das contas, cuida das pessoas”, destacou, citando o governador Eduardo Leite.
Na educação, o pacote soma R$ 133 milhões em Caxias do Sul e região, com R$ 60 milhões destinados a obras. O Instituto Cristóvão de Mendoza, que passa por reforma, com R$ 20 milhões investidos em ginásio e auditório. Outras escolas, como o Colégio Emílio Meyer (R$ 3,1 milhões) e a Apolinário Alves dos Santos (R$ 1,4 milhão) também serão contempladas. Segundo o governo, após décadas sem investimento, cerca de mil escolas em todo o Estado estão atualmente em obras ou com obras prestes a começar.
Além do aumento no volume de recursos, houve modernização nos processos de manutenção das escolas. Hoje, as demandas são atendidas por empresas já contratadas via registro de preços, o que elimina a morosidade da burocracia anterior.
A área de segurança pública também foi contemplada com destaque. O ano de 2024 foi apontado como o mais seguro da história do Estado, com queda de até 87% em crimes como roubo de veículos, 78% em roubos a pedestres e 48% nos crimes violentos letais intencionais. Na Serra Gaúcha, os índices também apresentaram recuos expressivos: 59% a menos em homicídios, 82% na redução de roubos de veículos, e 90% nos latrocínios. Isso se deve, segundo o governo, à integração entre as forças de segurança, ao uso de inteligência e tecnologia, e a investimentos em equipamentos, viaturas e infraestrutura.
Em Caxias do Sul, serão R$ 273 milhões aplicados nas prisões da região, R$ 124,4 milhões no Batalhão de Aviação, e R$ 26,5 milhões em viaturas semi-blindadas. Também está previsto um novo Centro Regional de Defesa Civil, com sede no bairro Desvio Rizzo, equipado com veículos 4x4, embarcações e suporte logístico.
O setor de infraestrutura turística contará com R$ 26,7 milhões em investimentos regionais, dos quais R$ 3,5 milhões serão destinados ao município de Caxias do Sul.
Na área de infraestrutura logística, o vice-governador destacou dois eixos considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico da Serra: o Aeroporto Regional da Serra Gaúcha, em Vila Oliva, e o Porto do Rio Grande.
Sobre o aeroporto, o governo enfatizou que a obra está pronta para iniciar e que o Estado já possui R$ 60 milhões disponíveis em caixa. A expectativa é de que o governo federal libere o licenciamento ambiental ainda neste segundo semestre de 2025, o que permitiria o início imediato da execução. A nova estrutura deverá ampliar a capacidade logística, turística e industrial da região, reduzindo gargalos de transporte e conectando a Serra de forma mais eficiente com o restante do país.
Já no Porto do Rio Grande, o governo promoveu uma reestruturação da governança e estabeleceu uma nova política de preços, além de viabilizar um novo terminal logístico multimodal. O objetivo é ampliar a competitividade do Estado frente a outros portos do Mercosul, especialmente em um cenário de crescimento do agronegócio e das exportações. A ligação entre o Porto e a Serra é vista como fundamental para a logística de cargas, com impactos diretos sobre os custos do setor metalmecânico e vinícola.
Por fim, o vice-governador destacou os avanços no ranking de competitividade dos Estados. O Rio Grande do Sul subiu do 7º para o 5º lugar desde 2019, com liderança nacional em inovação e eficiência da máquina pública. Também houve progressos em educação (de 11º para 6º), infraestrutura (de 18º para 11º) e capital humano (de 15º para 5º).
Reflexão final: o futuro depende da qualificação das próximas gerações
Encerrando a apresentação, o vice-governador trouxe uma reflexão sobre o maior desafio do Rio Grande do Sul nas próximas décadas: a transformação demográfica. Ele alertou que o Estado já perdeu o chamado bônus demográfico — ou seja, passou a ter menos pessoas economicamente ativas do que inativas, o que impacta diretamente a economia e a capacidade de crescimento.
“Quantos filhos os seus avós tiveram? Quantos filhos os seus pais tiveram? E vocês? E os seus filhos?”, questionou. A diminuição constante do número de nascimentos exige que o Estado prepare melhor os poucos jovens que entrarão no mercado de trabalho nos próximos anos. “Eles precisam chegar mais capacitados”, afirmou. “Minha filha tem sete anos, vai fazer oito. Ela precisa ser mais produtiva do que eu e a mãe dela. E isso começa agora.”
Segundo o vice-governador, a chave para enfrentar esse cenário está na primeira infância. Ele defendeu investimentos desde a gestação até os seis anos de idade, fase em que 90% do cérebro humano é formado. “Lá não pode haver trauma, violência, doença grave, subnutrição, pobreza extrema. Porque a primeira infância não espera. O tempo da criança é agora.”
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