Empresários debatem impactos da redução da jornada de trabalho em Caxias do Sul
Painel promovido pela CIC reuniu lideranças que alertaram para possíveis efeitos em custos, emprego e competitividade diante do fim da escala 6x1
A Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias) realizou, nesta quinta-feira (23), um painel para discutir os impactos econômicos e operacionais da proposta de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1. O encontro ocorreu no auditório da entidade e reuniu lideranças empresariais e representantes de entidades estaduais.
Durante o debate, foram abordados os possíveis reflexos da medida sobre custos operacionais, produtividade, geração de empregos e competitividade das empresas. A abertura do painel foi conduzida pelo vice-presidente de Serviços da CIC Caxias, André Renato Zuco, que questionou o momento em que o tema está sendo discutido.
Segundo Zuco, embora haja consenso sobre a importância da pauta, é necessário aprofundar o debate. Ele destacou a preocupação com a condução da proposta em período eleitoral, sem, segundo ele, as articulações necessárias.
Na sequência, o presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Rodrigo Costa, apresentou possíveis cenários caso o projeto seja aprovado. Entre os pontos levantados, ele mencionou impactos na renda dos trabalhadores e defendeu a revisão de encargos trabalhistas antes de avançar na discussão sobre a jornada.
O presidente da Federação Varejista do Rio Grande do Sul, Ivonei Pioner, também apontou a ausência de dados conclusivos que sustentem a redução da jornada. Ele destacou a preocupação com o aumento do endividamento das famílias e possíveis reflexos inflacionários, com repasse de custos ao consumidor.
Já o vice-presidente de Indústria da CIC Caxias, Oliver Viezzer, trouxe exemplos internacionais para embasar o debate. Conforme ele, experiências em outros países indicam queda de produtividade e impacto no mercado de trabalho. Viezzer também ressaltou que o Brasil possui encargos trabalhistas mais elevados em comparação com nações que discutem ou já implementaram mudanças na jornada.
Após as exposições, empresários e representantes de entidades e sindicatos participaram do debate, apresentando diferentes pontos de vista sobre o tema.
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