Sou um homem de fé
Que fé é essa que te coloca, como o que sabe tudo, e os outros nada. Cadê a humildade, aquela que é amiga da fé.
Você passou longe dela. Acredita que o único que vai ser salvo é você. Discrimina os outros e fica rodando ao redor dos mesmos erros, da prepotência orquestrada, da ignorância plantada, das inverdades firmadas. Fica preso na sua falta de recursos para enxergar outras coisas e nem se dá conta.
“Sou um homem de fé”, me dizia aquele senhor. E vivia a semear intrigas entre a família, com os vizinhos, com todos com quem convivia. E isso não percebia.
Levava interpretações pra lá e pra cá. Acreditava nas ilusões que ele próprio construía. Sim ele dizia ter fé, mas será que realmente a mantinha na sua mais pura essência. Pois uma coisa ficou clara através dos tempos: Quem carrega a fé dentro de si, leva consigo também outros valores.
A fé solta, sozinha, é a que não adentra no alicerce dela própria.
Saltar no escuro do vazio é para os que já trilharam muitos outros caminhos. Os que edificaram raízes e fortificaram jornadas. Os que vivem a dor a procura de um novo sol para iluminar seus dias.
Acreditava que era fé, a cadeira que ocupava. Onde era o preferido, o lembrado, o ovacionado. Onde só a ele pertencia a verdade da vida.
A fé que desperta na escuridão da noite, mas que já se construiu pouco a pouco em você, é aquela que não se mostra, mas que está a te estruturar internamente.
A procura era pela fé que é palavra, acolhida, que sabe dizer o não, que direciona e não se perde no imenso vazio de se direcionar.
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