Grudou em si as verdades do outro
Os registros de desvalor do pai seguiam impressos nele. Hoje ele também era pai, e nesse local, olhando o pai que teve e o que desejava ser, dizia que jamais seria igual ao seu, distante, ausente. Mas ele foi pior. Fez mais mal feito, pois sabia os estragos que seu pai causou, e mesmo assim dificultou os dias de ser quem ele desejava ser, de quem dizia que amava. Mas que amor era esse? Que atrapalhação foi essa?
Se antes de dizer que amava o outro tivesse aprendido a se amar, talvez valorizasse mais quem participava dessa estrada com ele. Talvez, se olhando, conseguisse se enxergar além. Talvez, cuidando de si, aprenderia o verdadeiro cuidado, e o valor das pessoas que ao seu lado seguiam.
Onde estava o “você é bom”, dentro dele. Não existia.
Tinha um vácuo, um vazio, uma lacuna aberta que agora emergia. Algo que não foi cuidado voltava para ser, enfim, olhado. Justamente por nunca ter sido amparada. O buraco ficou além do que supunha, além do que podia imaginar. Além do que, se ele tivesse consciência, concordaria.
Como se perdeu assim de repente? Talvez nunca tivesse se achado. Se encontrou nas verdades do outro e assim foi seguindo. Colou em um, depois no outro e foi prosseguindo grudando em verdades que não eram dele. As suas certezas não eram realmente suas, eram do outro. Puxava pra perto algo que não era seu, que não lhe pertencia. Às vezes, em dúbias interpretações, se encontrava.
Até colar em quem estava mais perdido do que ele. Foi ali que se perdeu completamente. O rebuliço que existia galgou fronteiras fora e dentro dele.
Os que o acompanhavam perderam as ilusões... E, a ele, cabia a grande lição de não se deixar totalmente colar. E aprender que as suas verdades não eram realmente suas. A partir dali necessitava começar a construir as suas próprias...
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